Marina diz que possível candidatura não depende de pesquisas

Último levantamento do Datafolha mostra ex-ministra do Meio Ambiente com 3% das intenções de votos

Eduardo Kattah, O Estado de S. Paulo

18 de agosto de 2009 | 16h49

Apesar de ressaltar que ainda está na fase de "discussão interna" e de "reflexão pessoal" sobre a saída ou não do PT, a senadora Marina Silva (AC) disse nesta terça-feira, 18, que sua eventual candidatura à Presidência em 2010 pelo PV não está subordinada ao resultado das pesquisas.

 

No último levantamento do Datafolha, a senadora aparece com 3% das intenções de voto. "Coloquei muito claramente que não estava subordinando a uma questão de candidatura a priori e muito menos a pesquisas", disse Marina, ao chegar para tomar posse e participar das atividades do Conselho Consultivo Internacional da Fundação Dom Cabral (FDC), em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte.

 

"Aliás, se eu fosse me pautar por pesquisa, nunca teria participado de nenhum processo político, porque quando nós iniciamos o Partido dos Trabalhadores lá no Acre, a gente não tinha três, nem dois, a gente tinha traço".

 

A senadora afirmou que não vem recebendo apelos para ficar no PT, mas tem mantido "conversas respeitosas" com antigos companheiros de legenda. "Com pessoas com as quais eu convivo há mais de 30 anos. Um processo difícil e doloroso, mas muito rico para mim", ressaltou. "O que está em questão não é apenas relações de amizade, de companheirismo, está colocado um desafio, que é a crise que nós estamos vivendo em todo planeta e que cada um é instado a dar a sua contribuição".

 

Marina sugeriu que após três décadas como militante petista está tentada a participar do processo eleitoral como protagonista. "É uma discussão e uma decisão que envolve os dois aspectos: o aspecto da política mais abrangente, das relações construídas ao longo de 30 anos, e o desafio que eu mesma me coloquei durante esse tempo que é lutar por um Brasil justo, sustentável, que promova a inclusão social e preserve as bases naturais do nosso desenvolvimento, que são os nossos ativos ambientais".

 

 

Direita e esquerda

 

A ex-ministra do Meio Ambiente do governo Lula destacou que quando foi convidada para mudar de partido, recebeu do PV o compromisso de uma revisão programática. Questionada, ela disse que não acredita que estará dando uma guinada à direita caso migre para a legenda. "O mundo não se divide mais nessas categorias de esquerda ou direita. A questão da sustentabilidade, ela ressignifica a política", observou.

 

Segundo Marina, o PV surgiu na Europa com uma visão da "natureza em si mesma" e agora está se apresentando para a "realidade do Brasil". "Vinte e quatro anos depois da criação do Partido Verde, ele se coloca ao desafio de fazer uma revisão programática, colocando como estratégica a questão da sustentabilidade".

 

"Política do bem"

 

O governador de Minas, Aécio Neves, pré-candidato do PSDB, considera positivo a eventual entrada da senadora na disputa eleitoral, a quem classificou como um dos "símbolos da política do bem".

 

"Certamente a candidatura da ministra Marina deverá levar mais preocupação ao campo do governo, já que ela tem tido uma posição muito crítica em relação à condução da política ambiental por parte do governo", avaliou o tucano.

 

Aécio ressaltou que o PSDB nacional gostaria de ter como aliado o PV,"eventualmente já no primeiro turno". E disse que as teses do partido deveriam ser incorporadas, "de alguma forma", no próximo governo. "É absolutamente legítimo e nós temos de respeitar se o Partido Verde optar por apresentar uma candidatura. Mas nós não devemos fechar as portas das conversas, dos entendimentos, para que se não for possível no primeiro turno possamos estar juntos no segundo turno".

 

O governador tem procurado tratar da questão ambiental em seus discursos e declarações. Ele programou para setembro um giro por "quatro ou cinco" Estados do Norte do País, região em que busca visibilidade - a exemplo do Nordeste. "A eventual entrada da ministra Marina na disputa traz ao centro do debate a questão da sustentabilidade. E não há como pensarmos o Brasil com seriedade para os próximos anos ou para as próximas décadas sem que esse tema esteja no centro das discussões".

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