Marina diz que internet deve ser ferramenta ética e não difamatória

Pré-candidata do PV comentou ação movida pelo PT, que acusou o PSDB de 'guerra suja' na rede

Brás Henrique / RIBEIRÃO PRETO, O Estado de S.Paulo

01 Maio 2010 | 13h59

A pré-candidata do PV à Presidência, Marina Silva, disse neste sábado, 1º, em Ribeirão Preto, que a internet deve ser usada na campanha eleitoral como uma ferramenta ética, e não difamatória. A resposta ocorreu após o PT mover representação contra PSDB, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na Procuradoria-Geral da República, acusando os tucanos de "guerra suja na internet", atingindo a honra de Dilma Rousseff, pré-candidata do PT, no site www.gentequemente.org.br, alojado na página do PSDB nacional.

 

"Encaro o uso (da internet) com ética, é boa ferramenta para divulgar ideias, debate, e não para o embate, pirataria e jogo sujo de difamação anônima", comentou Marina, antes de se reunir com pré-candidatos do PV a deputados federais e estaduais da região.

 

"A internet é um instrumento como qualquer outra, como tem gente que usa faca para cortar pepino e fazer uma salada e gente que usa a faca para como uma arma", citou Marina. Ela criticou o uso do meio eletrônico mundial para divulgar informações mentirosas e diminuir as pessoas. "Quero usar a internet como uma ferramenta justa, criticar o que tem que criticar, mas sempre assinando embaixo e nunca de forma anônima."

 

Juro

 

Marina Silva comentou também a alta de juros da taxa Selic, promovida pelo Copom, durante a semana, medida adotada para tentar conter o avanço inflacionário. "Aumento de juros não é bom, e ninguém quer, mas o aumento da inflação é pior ainda", disse ela. "Não posso fazer o discurso fácil para agradar aqueles que querem ouvir, e, de fato, foram tomadas medidas para controlar a inflação e, no momento, a velha tática da elevação de juros é o que permanece, mas isso não pode se configurar ao longo do tempo", emendou a senadora licenciada. "A pergunta que precisa ser respondida é como se deixou a inflação chegar onde chegou."

 

MST

 

Marina Silva ainda citou o déficit de reforma agrária no Brasil e que a democratização da terra precisa ser resolvida, mas que não faz generalizações. Caso seja eleita presidente do País, ela enfatizou que "não toleramos nenhum tipo de extrapolação de violência de direitos de um lado ou de outro". E citou que viu muitos assassinatos, nos últimos 20 anos, em disputa pela terra, como o de Chico Mendes, o caso mais conhecido, mas que isso não deve se repetir no futuro.

 

Paradoxo

 

A senadora Marina não concordou, em princípio, que seria um paradoxo aos projetos do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas rapidamente concordou e citou que esteve ao lado do presidente, inclusive como ministra do Meio Ambiente, por exatos cinco anos, cinco meses e 14 dias. Porém, ao sentir que não tinha mais apoio para os seus projetos, pediu para sair. E saiu até do PT, onde esteve por 30 anos. "Saí do PT de forma muita sofrida", destacou ela, que manteve os seus princípios políticos e sociais para mudar.

 

"O presidente Lula quebrou um velho dogma, de que é impossível crescer e distribuir renda", argumentou Marina. "Lamentavelmente, na questão ambiental ele (Lula) tem uma compreensão muito parecida com outros partidos tradicionais, que colocam o meio ambiente em oposição ao desenvolvimento", continuou ela. "É paradoxal, mas é assim que se faz avançar a democracia e avançar nas conquistas."

 

Orgânico

 

Pela manhã, antes de se reunir com militantes do PV da região de Ribeirão Preto, Marina Silva esteve na empresa Native, do grupo Balbo, que tem a Usina São Francisco, em Barrinha, pioneira em trabalhar com açúcar orgânico e outros produtos do mesmo segmento na região. Marina também se reuniu com representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-terra (MST) e da Pastoral do Migrante. Marina estava acompanhada do pré-candidato ao governo estadual Fábio Feldmann e do pré-candidato a senador Ricardo Yang.

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