Marina deseja ser 'desvio para que as pessoas se livrem do pior'

A candidata do PV considerou o resultado da pesquisa CNI/Ibope satisfatório e acredita levar sua campanha além do primeiro turno

Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2010 | 18h15

BELO HORIZONTE - Confiante de que terá um desempenho satisfatório na corrida presidencial, a candidata do PV, Marina Silva, disse nesta quinta-feira, 24, que acredita que poderá chegar a um eventual segundo turno da eleição. "No primeiro turno a gente vota no candidato do coração. No segundo, a gente se desvia do pior. E eu vou ser o desvio para que as pessoas se livrem do pior", afirmou Marina, no dia seguinte à divulgação da pesquisa CNI/Ibope, na qual aparece com 9% das intenções de voto. Na pesquisa, pela primeira vez, Dilma Rousseff (PT) está à frente de José Serra (PSDB) - 40% contra 35% do tucano.

 

Marina garante que sua candidatura já foi capaz de revogar a estratégia do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de estabelecer uma disputa plebiscitária entre petistas e tucanos. "Já furamos o plebiscito", afirmou. "Não tenho dúvidas de que a sociedade brasileira, até mesmo com essas pesquisas, já sinalizou que está revogando o plebiscito."

 

A candidata do PV esteve em Belo Horizonte para participar da convenção que oficializou a candidatura do deputado federal José Fernando Aparecido (PV-MG) ao governo de Minas. Durante entrevista em um hotel na região sul da capital mineira, Marina não perdeu a oportunidade de alfinetar Dilma. Segundo ela, a sociedade "não comprou a tese de uma eleição polarizada" entre "oposição e uma tentativa de continuidade sem crítica do processo atual, do governo atual."

 

Ao comentar o apoio dado durante 30 anos para fazer Lula presidente do Brasil, Marina disse que reconhece os feitos, mas não tem uma visão de complacência com o atual governo. "Quando você tem uma visão de respeito com os feitos, reconhece os feitos, mas não tem uma visão de complacência, você se coloca no sucessor, não apenas do continuador cego que muitas vezes é complacente com os erros."

 

Novamente, a candidata do PV fez críticas diretas à ação do governo federal na tragédia das chuvas, que deixou dezenas de mortos no nordeste. "As autoridades continuam tratando isso como fenômenos naturais", afirmou a ex-ministra do Meio Ambiente, que rebateu a declaração da candidata do PT, que atribuiu os problemas à carência histórica de uma política habitacional antes do governo Lula.

 

"Estamos pautando o tema da segurança ambiental. Não é por falta de programa habitacional pura e simples. Essa é uma das questões. É por falta de uma visão que considere os eventos extremos como parte de uma questão ambiental e de uma mudança climática."

 

"General"

 

Lembrando que começou a corrida eleitoral com 3%, a presidenciável foi irônica ao comentar os constantes questionamentos de que sua candidatura estaria estacionada. "Tomara que eu estacione em 51% que é para ganhar já no primeiro turno", disse. "As pessoas não querem ver que nós estamos progressivamente avançando nesse processo."

 

Apesar do discurso otimista, Marina admitiu que está em desvantagem, ao afirmar que Serra é candidato desde que perdeu a eleição presidencial de 2002 e Dilma tem o presidente Lula no "papel de seu general eleitoral já há quase três anos".

 

Em relação à pesquisa CNI/Ibope, Marina citou como positivo o aumento do porcentual de eleitores propensos a votar no PV, de 27% para 36%. Segundo ela, o voto será definido a partir de três aspectos: trajetória dos candidatos, compromisso de cada um em integrar e manter os avanços e ao mesmo tempo corrigir os erros e apontar para os novos desafios.

 

Dissidentes

 

Acompanhada de cerca de 100 apoiadores, a presidenciável do PV participou de uma caminhada pelo centro de Belo Horizonte até o Café Nice, tradicional ponto de peregrinação de políticos em campanha.

 

O vice-presidente do PV, Alfredo Sirkis prometeu enquadrar os dissidentes mineiros, já que maior parte da bancada estadual e boa parte da federal não aderiu à campanha de José Fernando e promete apoio ao pré-candidato tucano, o governador Antonio Anastasia. "Não há hipótese de deixar de haver sanção para quem não respeite as decisões tomadas pela convenção nacional e pela convenção em Minas Gerais", disse.

 

Marina, por sua vez, desdenhou das defecções. "Minha candidatura está forte porque ela é muito maior do que o Partido Verde."

 

Ela anunciou que a ex-deputada federal e ex-presidente do PT-MG, Sandra Starling - que deixou o partido recentemente, insatisfeita com a condução do processo que levou à escolha de Hélio Costa (PMDB) como candidato da base aliada -, terá um "papel fundamental" em sua campanha, coordenando seu comitê suprapartidário em Minas.

 

Receita

 

Questionada, a candidata condenou o que chamou de guerra de "dossiês". "Essa guerra de dossiê para cá, dossiê para lá, isso não fortalece o processo democrático, pode demonstrar a nossa imaturidade política para fazer o debate como o Brasil precisa que seja feito dos temas relevantes da sociedade."

 

O candidato a vice em sua chapa, Guilherme Leal, comentou o requerimento do PSDB para convidar o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, para depor na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O autor do pedido, senador Álvaro Dias, cita também o vazamento de informações sobre processos que a Receita move contra a Natura.

 

Leal tratou o caso como "pseudo vazamento". "Entendemos ter nada a esconder e lastimamos se de fato houve vazamento", afirmou. "Não lançaremos mão jamais desse tipo de procedimento e esperamos que os demais competidores, os demais candidatos evitem também esse tipo de comportamento."

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