Marina desautoriza auxiliar que defendeu elevar meta de inflação

Candidata admitiu previsão de 4,5% após Maurício Rands dizer que está claro que inflação será de '6,5% para mais'

RICARDO DELLA COLETTA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2014 | 02h01

Candidata do PSB à Presidência, a ex-ministra Marina Silva desautorizou ontem declarações de um de seus mais próximos colaboradores, o economista Alexandre Rands, e se comprometeu com a manutenção da meta de inflação em 4,5% ao ano. A candidata voltou a criticar a política econômica do governo e disse que a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, "serão demitidos pelo povo brasileiro".

Aliado de Marina, Rands afirmou na semana passada que a meta de inflação deveria ser revista para cima no próximo ano com o objetivo de acomodar o impacto do reajuste de preços administrados caso Marina fosse eleita. "Todo mundo sabe que (a inflação) será de 6,5% para cima. Manter a meta em 4,5% é hipocrisia", afirmou Rands ao jornal Folha de S.Paulo.

Para a ex-ministra, a declaração do economista é uma opinião "isolada". "Estamos comprometidos com o tripé da política macroeconômica e com os fundamentos do Plano Real", afirmou Marina após um comício em Ceilândia, no Distrito Federal. "A opinião livre de uma pessoa não representa o nosso programa." De acordo com ela, a correção de tarifas em seu governo não será feita "de uma vez ou no chutômetro".

Marina também atacou a condução da economia por Dilma. Disse que a petista tem responsabilidade pela "contabilidade criativa" - manobras contábeis para melhorar o resultado das contas públicas - e pelo represamento dos preços. "A presidente Dilma disse que está resolvendo isso e até já se comprometeu a demitir seu atual ministro da Fazenda. Só que agora é tarde, porque ambos serão demitidos pelo povo brasileiro", afirmou. Ela sustentou que Dilma está "apenas aguardando" o fim da eleição para reajustar os preços, como os da energia e dos combustíveis.

A ex-ministra responsabilizou o governo pelas denúncias de escândalos de corrupção na Petrobrás, afirmou que está sendo vítima de "difamações" e voltou a dizer que está disposta a "oferecer a outra face". "Tudo tem duas faces. Para a face do ódio eu ofereço o amor; para a face da mentira eu ofereço a verdade; para a face da corrupção na Petrobrás eu ofereço a honestidade", discursou. Seu candidato a vice, Beto Albuquerque (PSB), afirmou que Dilma está "refém da corrupção" na estatal e de políticos como os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL), José Sarney (PMDB-AP) e Fernando Collor (PTB-AL), além do deputado Paulo Maluf (PP-SP).

Tudo o que sabemos sobre:
Eleições2014

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.