Marina deixa PV e adia criação de sigla para 2013

Aliados da ex-senadora que têm mandato continuarão na legenda até ser fundado novo partido, para ela concorrer novamente à Presidência em 2014

Roldão Arruda,

29 de junho de 2011 | 00h44

Em reunião com militantes do Movimento Marina Silva, ontem à tarde, em São Paulo, a ex-senadora Marina Silva começou a comunicar a apoiadores e simpatizantes que deve deixar mesmo o PV na semana que vem. Ela ficará à margem de siglas partidárias até 2013, quando será articulada uma nova legenda - destinada a dar sustentação à sua provável candidatura presidencial em 2014.

 

O rompimento tem efeito político e ajuda a preservar o patrimônio político da ex-senadora, que saiu da eleição presidencial de 2010 em terceiro lugar, com quase 20 milhões de votos. Na prática, porém, não causa danos imediato à atual estrutura do PV: já está acertado que todos os parlamentares eleitos que apoiam Marina devem permanecer ligados à sigla pelo menos até as eleições de 2012. Aqueles que tiverem cacife para disputar cargos de prefeito ou de vereador terão o apoio dela.

 

Até a articulação do novo partido, em 2013, Marina ficará sob o guarda-chuva de um movimento que deverá se chamar Verdes e Cidadania. Ele também abrigará a maior parte do grupo que se filiou com ela ao PV em agosto de 2009. Dele fazem parte os empresários Guilherme Leal, que concorreu ao cargo de vice-presidente, e Ricardo Young. Este último, mesmo disputando um cargo político pela primeira vez, saiu do pleito para o Senado em São Paulo com 4,1 milhões de votos, ficando na quarta posição.

 

Marina viaja hoje para a Alemanha, onde manterá contatos com representantes de partidos verdes europeus. A volta está programada para quarta-feira da semana que vem. A data do evento público no qual será anunciada a saída do PV deve acontecer na quinta ou sexta-feira.

 

No Rio, o deputado federal Alfredo Sirkis, um dos últimos verdes históricos, remanescente do pequeno grupo fundador do PV, já pediu o seu afastamento do cargo de presidente do diretório estadual. "Não posso aceitar o tratamento ignóbil que a burocracia partidária do PV, sob o comando da dupla José Luiz Penna (presidente do PV) e Zequinha Sarney (deputado federal, pelo Maranhão) deu à Marina", disse.

 

Ainda filiado ao PV, Sirkis pretende dedicar seu tempo à articulação do Movimento Verdes e Cidadania. "A proposta é de um movimento democrático, amplo e de grande capilaridade, com ramificações pelos Estados, municípios, bairros, ruas, do mesmo modo que foi articulada a campanha de Marina.

 

Um dos criadores do Movimento Marina Silva, Eduardo Rombauer, elogiou ontem a iniciativa da ex-senadora de falar com simpatizantes. "Esse é o estilo Marina: ouvir todos para formar sua opinião", afirmou. "Ela estava muito centrada nas disputas internas do partido. Agora está retomando a liderança."

 

Procurado pelo Estado, o presidente do PV não quis se manifestar. Segundo seus assessores até agora ele não recebeu nenhuma informação oficial sobre o possível desligamento de Marina. / COLABOROU ISADORA PERÓN

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.