Marina defende fundo para dobrar investimento em cultura

A candidata a presidente Marina Silva (PV) defendeu na noite de ontem, em São Paulo, a criação de um fundo de cultura para dobrar os investimentos do governo no setor e oferecer patrocínio para projetos populares que hoje não conseguem se enquadrar nos critérios da Lei Rouanet. Marina fez campanha numa casa noturna no centro da capital paulista. "Vamos fechar o dreno da corrupção e investir mais em arte", defendeu, em evento com 280 convidados, entre artistas e intelectuais, numa menção direta ao escândalo que derrubou a cúpula política do Amapá.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

14 de setembro de 2010 | 10h54

De acordo com Marina, com a criação do fundo de cultura seria possível dobrar os recursos para o setor, passando de R$ 1 bilhão para R$ 2 bilhões. "A ideia é que este fundo seja equivalente a esse mesmo valor (R$ 1 bilhão da Lei Rouanet), ou seja, dobraria o investimento no setor", disse. Para a candidata, o fundo seria fundamental para financiar projetos, principalmente os de iniciativa popular.

O empresário e candidato a deputado federal pelo PV, Ale Roussef, abriu as portas de sua casa noturna, o Studio SP, um dos mais badalados pontos da Baixo Augusta (reduto boêmio alternativo de São Paulo) não apenas para que Marina se aproximasse de artistas e intelectuais, mas para que celebridades como o cineasta Fernando Meirelles, o chef Alex Atala, o rapper Xis e a atriz Chris Couto manifestassem seu apoio público à candidata verde. Durante o evento, um vídeo com depoimentos de Gilberto Gil, Arnaldo Antunes, Maria Bethânia, Marcos Palmeira e Wagner Moura foi apresentado aos convidados.

Em meio a um público predominantemente de defensores de temas como casamento gay, aborto e legalização da maconha, Marina disse se sentir à vontade por se considerar "transparente" e não ter "duas caras". "As pessoas que estão aqui sabem das minhas posições, têm posições contrárias às minhas em alguns aspectos, mas na maioria eles concordam", rebateu. "A diversidade é isso, é a capacidade da gente conviver na diferença", completou. Marina admitiu que o apoio da classe artística é importante para sua campanha. "Apoio de artista traz a certeza de que você tem uma mensagem viva e atualizada. Se trouxer voto é muito bom, se não trouxer é bom do mesmo jeito", afirmou.

Ex-petistas

Ao defender o apoio ao PV, o cineasta Fernando Meirelles, um dos principais apoiadores da campanha de Marina Silva, criticou ontem as alianças do PT nesta eleição e disse que o diferencial da candidatura verde está em propor um novo paradigma para a política. "Tínhamos aquela ideia de que o PT era diferente e não era, né", comparou. "Nem no pior pesadelo o Lula poderia imaginar que estaria do lado do (Fernando) Collor, do Renan Calheiros dizendo; ''essa é a minha turma''." Para o cineasta, mesmo que Marina não alcance um segundo turno, sua projeção política será ampliada. "Vamos plantando a semente. Algum dia a gente vai ter que chegar lá", afirmou.

A atriz Chris Couto admitiu que sempre votou no PT e que se decepcionou com o partido. "Marina é o novo e é nela em quem eu acredito", disse. Ao ser questionada se estava herdando o voto de ex-simpatizantes do PT, Marina desconversou. "A gente não para de acreditar porque alguns se perderam no caminho", respondeu. "As pessoas estão buscando acreditar em uma política que seja inovadora", emendou.

Marina voltou a defender a necessidade da realização de um segundo turno para ampliar o debate de propostas e dar mais tempo para a apuração das denúncias sobre vazamento de dados fiscais na Receita Federal e o suposto tráfico de influência na Casa Civil. A candidata reafirmou que manterá sua campanha pautada na defesa de propostas e que isso a levará ao segundo turno. "Há uma onda verde no Brasil inteiro. E ela só vai crescer", acredita.

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