Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Marina decidiu não embarcar pouco antes

Vice resolve pegar voo para Guarulhos momentos antes de jato decolar no Rio; emocionada, diz que aprendeu a confiar nos ideais de Campos

Isadora Peron, Pablo Pereira, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2014 | 22h05

Aliados da ex-ministra Marina Silva, candidata a vice na chapa do PSB, afirmaram nesta quarta-feira que foi uma “intuição” que a fez desistir de embarcar no avião que caiu ontem em Santos, no litoral paulista, e no qual estava o candidato à Presidência Eduardo Campos. 

Na noite anterior, os dois estavam juntos no Rio, onde o candidato foi entrevistado pelo Jornal Nacional, da TV Globo. Momentos antes de o jatinho decolar do aeroporto Santos Dumont, Marina decidiu que iria pegar um voo direto para Guarulhos. A candidata a vice não participaria da agenda de Campos no litoral paulista. Ficaria na capital gravando cenas para a propaganda eleitoral da TV.

Quando soube que o avião em que Campos viajava havia caído, Marina abandonou os estúdios e foi para casa. Segundo um dos coordenadores da campanha, Bazileu Margarido, ela ficou em choque com a notícia. 

Logo depois, seguiu de carro com alguns assessores para Santos, onde concedeu no fim da tarde um depoimento emocionado à imprensa. “A imagem que quero guardar dele foi da nossa despedida de ontem (terça-feira): cheio de alegrias, cheio de sonhos, cheio de compromissos.” 

Marina classificou o acidente como uma tragédia. “Quero pedir a Deus que sustente a Renata, o Zé, o João, a Duda, o Pedro, o pequenino Miguel e todos os familiares do companheiro Eduardo Campos”, afirmou, em referência à mulher e aos cinco filhos do candidato.

Em sua rápida fala, ela lembrou que fazia dez meses que ela havia decidido entrar no PSB e apoiar a candidatura de Campos à Presidência, após a Justiça Eleitoral ter negado o pedido de registro de seu partido, a Rede Sustentabilidade.

“Em dez meses de convivência aprendi a respeitá-lo, admirá-lo e a confiar nas suas atitudes e nos seus ideais de vida. Foram dez meses de intensa convivência. Começamos a fiar juntos, principalmente, a esperança de um mundo melhor, um mundo mais justo.”

Depois de deixar a prefeitura de Santos, Marina seguiu para casa, em Moema, na capital paulista. Em nota, o grupo ligado a Marina também lamentou a tragédia. “A Rede se solidariza com seus familiares, amigos e assessores e convida a todos a manter Eduardo Campos e sua equipe em seus pensamentos.”

Futuro. Durante a entrevista, Marina não falou sobre questões eleitorais. Aliados da ex-ministra disseram que o momento é de luto e que só irão discutir esse assunto a partir da semana que vem. De acordo com os prazos estipulados pela legislação eleitoral, o PSB tem dez dias para indicar um novo candidato.

Marina, que em 2010 conseguiu quase 20 milhões de votos na eleição presidencial, é vista como o nome mais provável para substituí-lo. Ela era considerada o grande trunfo eleitoral de Campos. A campanha apostava na popularidade da ex-ministra para alavancar o então candidato do PSB nas pesquisas.

Segundo a mais recente pesquisa Ibope, divulgada na semana passada, Campos tinha 9% das intenções de voto. Pesquisas internas do PSB apontavam que quando o eleitor tomava conhecimento que Marina fazia parte da chapa, esse resultado subia para a casa dos 20%.

Ontem, o presidente do PSB paulista, Márcio França, também evitou falar sobre o futuro da legenda na corrida eleitoral. “Nós temos que aprender com as lições dele (Campos) e seguir em frente, porque a vida é assim”, limitou-se a dizer. 

‘Ingrisia’. Desde que decidiram se aliar, em outubro do ano passado, Campos e Marina tentavam demonstrar sintonia. Nos últimos meses, haviam conseguido deixar para trás as divergências que surgiram durante a montagem dos palanques estaduais e se preparavam para entrar num novo momento da campanha, marcado pelo início do programa eleitoral na TV.

Caberia a Marina apresentar Campos no horário eleitoral, já que ele era desconhecido por 41% dos eleitores, segundo dados do instituto Datafolha. 

Quando questionada se havia algum desentendimento com Campos, a vice usava uma palavra que aprendera com ele para negar o conflito. Costumava dizer que não havia nenhuma “ingrisia” entre os dois. Essa é uma expressão muito usada em Pernambuco, Estado governado por Campos e que pode ser entendida como “problema”.

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