Marina critica política de preços controlados

A candidata do PSB à presidência da República, Marina Silva, durante entrevista a emissoras da RBS nesta quinta-feira, 04, em Porto Alegre, criticou a política de preços controlados do governo, dando a entender que, se vencer a eleição, o combustível seguirá as oscilações do mercado internacional.

ELDER OGLIARI, Estadão Conteúdo

04 de setembro de 2014 | 14h49

"A atual política não tem sustentação", afirmou, ao responder a uma pergunta sobre equiparação dos preços ao mercado internacional ou manutenção do controle feito pelo governo federal. "A Dilma está assumindo que depois das eleições terá de fazer mudanças", reiterou. "Se não tivesse demorado a fazer o dever de casa não estaríamos na situação em que estamos", citando a desvalorização da Petrobras, suspeitas de corrupção na estatal e prejuízos à imagem da empresa como exemplos do que não vai bem.

Energia, reformas e índios

Ao abordar a questão da energia, Marina repetiu a disposição de manter as atuais fontes de geração e, ao mesmo tempo, investir em novas. "Vamos investir para que, no longo prazo, tenhamos essas fontes (eólica, solar, biomassa), mas hoje não temos como abrir mão das atuais."

A candidata do PSB também voltou a se comprometer com o envio de um projeto de reforma tributária ao Congresso no primeiro mês de governo, mas admitiu que ela terá de ser "fatiada", com negociações entre União, Estados e municípios para que ninguém se sinta perdedor de recursos.

As ideias centrais, segundo Marina, são garantir justiça, para que os que ganham mais paguem mais, transparência, para a população saber o que paga e para onde vão os recursos, e simplificação, que pode poupar recursos que as empresas gastam atualmente em suas áreas burocráticas.

Para a reforma política, Marina disse que não foi apresentado projeto, mas alguns pontos para iniciar o debate. "Defendemos o financiamento público de campanha, mas há um debate que pode ser misto, combinando as duas coisas", disse a candidata.

Lembrada pelos jornalistas de que disputa de terras entre agricultores e índios geram um clima de tensão no noroeste do Rio Grande do Sul e em outras regiões do País, Marina defendeu a legislação atual, que atribui ao Executivo a demarcação de terras indígenas, posição que contraria movimento de produtores rurais que querem transferir a decisão para o Congresso. Ao mesmo tempo, ressaltou que tem o compromisso de respeitar direitos. "Existem terras que são posse de assentados pelo próprio Estado e não podemos tratar (esses agricultores) como invasores", destacou. "Nesse caso a discussão deve ser criteriosa para os dois lados não sofrerem prejuízos."

Nesta tarde Marina visita a Expointer, feira agropecuária na cidade de Esteio, na região metropolitana de Porto Alegre, e à noite tem encontro com o candidato do PMDB ao governo do Estado, José Ivo Sartori, em Caxias do Sul, na serra.

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