Marina critica mudança no projeto Ficha Limpa

Marina Silva também voltou a criticar a retirada do nome do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da disputa pela Presidência

ELIANA LIMA, Agência Estado

21 Maio 2010 | 13h31

SALVADOR - Pela primeira vez na Bahia desde a sua indicação como pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República, a senadora Marina Silva criticou, em entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, 21, a mudança redacional apresentada pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ) no projeto Ficha Limpa.

 

"Eu diria que essa questão foi um verdadeiro gatilho, porque a compreensão que se tinha era de que estava mantida a coerência do projeto. Tanto, que as próprias pessoas que participaram do movimento pela aprovação não tinham conhecimento dessa mudança. O senador Dornelles (Francisco Dornelles (PP-RJ) fez ali um gatilho e ficou uma questão bem delicada porque, agora, tudo o que tínhamos para comemorar acabou inviabilizado", opinou.

 

A pré-candidata afirmou que, a despeito das mudanças no projeto, o seu partido não permitirá a candidatura de pessoas que já tenham sido condenados em segunda instância na Justiça já nessas eleições de outubro próximo.

 

A mudança implementada pelo senador abriu uma brecha para candidatos com ficha suja. A expressão "os que tenham sido condenados", foi substituída pela "os que forem condenados", retardando a medida para aplicação em casos que venham ocorrer após somente após a sanção presidencial.

 

Marina Silva também voltou a criticar a retirada do nome do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) da disputa pela Presidência e negou que já tenha pedido o apoio dele sua candidatura. "Estou respeitando o momento do Ciro, mas fiquei muito feliz de a mulher dele, a Patrícia Pilar ter dito que está comigo".

 

Conforme a pré-candidata, é importante para a democracia que a população conte com um amplo leque de candidatos. "Eu acho que o Ciro deveria ser candidato, mesmo concorrendo comigo, porque no primeiro turno a população tem a possibilidade de escolher quem é melhor para o Brasil. No segundo turno a escolha é quem é menos pior para o Brasil", comentou.

 

Ela disse ainda que respeita a decisão do grupo de ex-integrante do Partido Verde, que formarão o partido Livre, de declarar apoio à candidatura da petista Dilma Rousseff. "Respeito a decisão deles. Democracia é assim".

 

A senadora negou ter uma postura de discriminação à população gay. "Respeito a todos na sua condição e dignidade humana", afirmou, defendendo a aplicação, pelo Estado, de políticas públicas para todos, embora tenha ressaltado que não usa de demagogia, nem levantaria a bandeira gay. "Procuro ser coerente com as minhas crenças".

 

Logo cedo a senadora se encontrou reservadamente com o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal D. Geraldo Majella Agnelo, e com o bispo-auxiliar D. Carlos Petrini, com quem, segundo ela, tratou sobre questões ligadas à saúde e educação, duas preocupações dos religiosos.

 

Agora à tarde, ela segue para a Associação Comercial da Bahia, onde fará palestra, e à noite, na Câmara de Vereadores, participa de sessão especial em homenagem à igreja Assembleia de Deus. No sábado, 22, a senadora prestigiará o lançamento das pré-candidaturas de Luís Bassuma para o governo do Estado e de Edson Duarte para o Senado pelo PV.

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