Marina: crítica à imprensa contradiz trajetória de Lula

Após reunião com seu conselho político de campanha, a candidata do PV à sucessão presidencial, Marina Silva, avaliou hoje que as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à imprensa são contraditórias com sua trajetória política no PT.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

22 de setembro de 2010 | 18h44

A presidenciável defendeu ainda que a imprensa tenha o direito de fazer "denúncias graves" e de "manifestar seus posicionamentos" sobre os fatos. "Eu acho que o presidente fez uma crítica à imprensa que é inclusive contraditória com toda a sua trajetória dentro do PT, na época em que eu fazia parte (do partido)", criticou a candidata, na capital paulista. Ela lembrou que, quando fazia parte do partido, Lula sempre defendeu a liberdade de imprensa.

Marina destacou que, em um processo eleitoral, a imprensa não pode ter um papel secundário e deve fazer uma cobertura equânime. "Eu acredito na liberdade de imprensa, e a imprensa, ao se colocar dessa forma, estará cumprindo sempre o seu papel", defendeu.

A candidata do PV fez as declarações ao ser questionada sobre as investidas recentes do presidente contra a imprensa brasileira. Na tarde de ontem, por exemplo, Lula insinuou que os veículos de imprensa inventam denúncias contra seu governo.

Na semana passada, o presidente acusou a revista "Veja", da qual disse não lembrar o nome, de destilar ódio e mentiras. O presidente se referia à matérias publicadas pela revista que apontam tráfico de influência e irregularidades na Casa Civil. As críticas do petista levaram intelectuais a lançar, na tarde de hoje, um manifesto pela democracia.

Em tom crítico, Marina voltou a acusar os adversários, sem citar nomes, de irem para o "vale-tudo" na campanha deste ano e disse que, até agora, tem fugido da "tentação" de fazer promessas. "O que nós temos feito é em cima de nossa plataforma de governo, assumindo compromissos com o que são questões estratégicas e estruturantes para o Brasil", destacou. Em seguida, Marina lançou mais uma provocação aos oponentes. "Não temos tido uma atitude do varejo, do ''promessômetro'' para ganhar simpatia", afirmou, criando um neologismo para promessas de campanha.

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