Marina condena tentativa de minimização do caso das quebras de sigilo

Em visita ao Acre, sua terra natal, candidata do PV critica postura de Mantega

Daiene Cardoso, Agência Estado

04 de setembro de 2010 | 15h43

RIO BRANCO - Em visita ao Acre, a candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, condenou neste sábado, 4, a tentativa de minimização do episódio sobre o vazamento de dados na Receita Federal envolvendo 140 contribuintes, incluindo nomes ligados ao PSDB.

 

Ao comentar o pronunciamento do ministro Guido Mantega sobre o assunto, Marina se mostrou insatisfeita com as declarações. "Não podemos ser coniventes com uma declaração que diz que é assim mesmo, que vazamentos sempre aconteceram. Ficamos esse tempo todo esperando o ministro vir a público para ele dizer que é assim mesmo. Eu não sabia que era assim mesmo", reclamou.

 

Marina lembrou o episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa (que levou à queda do então ministro da Fazenda Palocci) e cobrou uma investigação séria, à exemplo do que ocorreu na época.

 

A candidata voltou a criticar o descontrole na Receita e disse que o episódio "traumatizou" a sociedade. "Esse episódio não pode ser minimizado nem visto só como um problema de campanha. É um problema que feriu instituições e regras democráticas de maneira criminosa."

 

Reencontro. O primeiro dia de campanha como presidenciável em sua terra natal foi marcado pelo reencontro com a família, companheiros de longa data e pessoas que fizeram parte de sua trajetória. Marina começou o dia com uma oração na Igreja Assembleia de Deus Rio Branco. "Ela continua a mesma Marina. Ela sempre ora para que Deus dirija os passos dela", comentou o pastor Luiz Gonzaga, que conhece a candidata há pelo menos 20 anos.

 

O primeiro compromisso oficial foi um café da manhã com a família que, pela primeira vez, reuniu publicamente Seu Pedro Augusto, 83, pai de Marina, suas sete irmãs, o único irmão, sobrinhos, tias, primos e o marido Fábio Vaz de Lima. "A gente que vem do seringal fica muito orgulhoso dela, né", disse o pai. À família, Marina disse estar feliz por voltar a sua casa, o Acre. "Aqui é o momento de receber esse apoio, esse reforço na reta final", afirmou. O marido, que é assessor do governador do Acre, o petista Binho Marques, lamentou não poder acompanhá-la na campanha todos os momentos. "Tenho muitas atribuições e não posso me ausentar", justificou.

 

Pela manhã, Marina inaugurou três comitês domiciliares, um deles na casa dos patrões que lhe ofereceram o primeiro trabalho em Rio Branco como empregada doméstica. "Se passaram todos esses anos e o respeito continua. Eles são pessoas que me acolheram no momento em que eu precisava", lembrou. Embora em partidos diferentes, Marina pediu votos para os petistas Tião e Jorge Viana, candidatos ao governo e ao Senado, respectivamente. Ela minimizou o fato de aparecer em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto no Estado e dos petistas não fazerem campanha para ela. "Tudo que eu sou devo ao Acre, então não tenho cobranças com relação ao Acre, tenho compromissos. Não faço exigências aos acreanos", afirmou.

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