Marina condena tentativa de levar disputa ao 'vale-tudo'

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, voltou a condenar hoje a "tentativa" de se levar a disputa eleitoral deste ano para uma espécie de "vale-tudo" político e defendeu que não irá resvalar para o que "rende mais votos". Marina fez a afirmação ao comentar o episódio de quebra de sigilo fiscal, pela Receita Federal, de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB, José Serra. De acordo com Marina, não cabe no debate eleitoral "pegadinha ou casca de banana". "É para discutir as coisas com seriedade. A política é um espaço de seriedade", defendeu. "Não se pode resvalar para o vale-tudo, para aquilo que é o mais fácil de dizer ou de fazer", criticou.

GUSTAVO URIBE, Agência Estado

08 de setembro de 2010 | 14h12

A candidata evitou avaliar como baixaria a discussão em torno do episódio do vazamento de informações sigilosas, como o fez o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao atacar a oposição na noite de ontem. "Eu não gosto de rotulá-los. Quando a gente rotula as coisas, é uma forma de parar a discussão", afirmou. Marina fez as afirmações após discurso a diretores da Fundação Abrinq, em São Paulo. A candidata compareceu à sede da entidade para assinar termo de compromisso no qual, se eleita, assume a tarefa de reduzir as taxas de mortalidade infantil e materna, melhorar o ensino público e proteger as crianças de qualquer forma de abuso.

Ao lado do candidato do PV ao Senado, Ricardo Young, a candidata assinou o compromisso, assim como fizeram os adversários Serra e Dilma Rousseff (PT). "Fiz questão de que o Young fosse testemunha", afirmou Marina, referindo-se ao papel do correligionário como um dos que colaboraram com a criação da entidade. Num discurso de 14 minutos, Marina defendeu a maior destinação de recursos para a área de educação, valor total referente a 7% do Produto Interno Bruto (PIB), e pregou uma política educacional articulada entre os governos municipal, estadual e federal.

A candidata do PV ressaltou que outras medidas, aparentemente de outras esferas, devem ser tomadas também para a melhora do rendimento escolar das crianças. Marina citou dados, por exemplo, de que os estudantes que vivem em locais sem saneamento básico têm rendimento 11% inferior à média. "Exatamente porque ficam doentes e não vão à escola", explicou. A presidenciável salientou a importância de se combater a violência para a promoção da cidadania. "Não podemos deixar que aqueles que darão continuidade sejam iludidos", pregou.

Marina elogiou iniciativa do governo de ter tirado 24 milhões de pessoas da linha da pobreza, mas ponderou que não houve diminuição da violência, que, segundo ela, aumentou. "O jovem acaba enveredando para caminhos que são destrutivos na sua própria vida e no tecido social." Em tom elevado, a presidenciável pregou "tolerância zero" contra o tráfico de armas e propôs "forte investimento" em inteligência policial para combater o tráfico de drogas. "Isso só se consegue com uma ação repressiva a essas práticas criminosas que acontecem e que acabam se constituindo numa espécie de mistura venenosa", ressaltou.

Bobagem

As críticas da candidata do PV sobraram até para o vídeo institucional da campanha "Vote em um Presidente Amigo da Criança", exibido no evento e promovido pela Fundação Abrinq. A gravação mostra quatro bonecos, em um suposto debate eleitoral, fazendo promessas para as crianças. Um deles, por exemplo, propõe que, a partir de agora, o chuchu tenha gosto de tutti-frutti.

Em um primeiro momento, a candidata elogiou a propaganda. "Acho que a brincadeira que foi feita do candidato prometendo um monte de bobagens para dizer que é amigo das crianças ficou muito educativa." Marina cobrou depois, no entanto, a presença de uma boneca entre os bonecos do vídeo. "Como não há expectativa na história do Brasil de que se tenha uma mulher presidente, colocaram todos os homens." Em tom de brincadeira, justificou as "bobagens" prometidas no vídeo. "Deve ser por isso que falaram todos daquela forma", afirmou, arrancando risos dos presentes.

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