Marina condena postura de lideranças sobre incidentes

A senadora Marina Silva (AC), ex-candidata do PV à Presidência, criticou hoje a agressão ao candidato tucano José Serra durante campanha de rua na última semana, no Rio de Janeiro. Em entrevista ao portal Estadão.com.br, Marina disse que as lideranças políticas não tiveram uma postura correta no episódio. "Acho que o importante é olhar para esse confronto como algo que não pode ser estimulado nem desconsiderado", criticou. "As lideranças têm de ter a grandeza de não incentivar esse tipo de atitude", disse, sem mencionar nomes.

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

26 de outubro de 2010 | 20h34

Marina afirmou que o incidente serve como exemplo do que não é bom numa eleição e mencionou um episódio durante sua campanha em que militantes de outros partidos, ao se depararem com ela na rua, baixaram as bandeiras e pararam para tirar fotos. "É assim que a gente deve fazer política", afirmou.

2º turno

A ex-candidata também mencionou a pressão das últimas semanas para definir seu apoio no segundo turno. Ela afirmou que a decisão tomada pelo PV - de independência - foi difícil porque ela abriu mão de "liderar" os mais de 19 milhões de eleitores que votaram em sua candidatura no primeiro turno e passou a palavra final para o eleitor. "É muito tentador você se colocar nessa posição de conduzir as pessoas", admitiu. "Mas preferi ficar independente para deixar a decisão para o eleitor."

Fora da disputa, Marina criticou a campanha de PT e PSDB neste segundo turno por não se esforçar para atrair o eleitor. Segundo ela, os candidatos preferem pedir o apoio de terceiros do que focar em propostas. "Estamos numa espécie de preguiça política tão grande que a pessoa não quer convencer o eleitor", analisou. A senadora disse que, em meio à troca de acusações entre os candidatos, o "perigo" é um deles sair vencedor das urnas sem que as pessoas saibam "com o que eles estão comprometidos". "Preferi não fazer uso eleitoreiro da corrupção", disse, ao defender que os candidatos, em vez de explorarem os escândalos, devem apresentar propostas para acabar com a corrupção.

Ao ser questionada sobre a criação de conselhos estaduais para fiscalizar e monitorar a mídia, Marina disse que não pode haver flexibilização da liberdade de imprensa. A senadora aproveitou o assunto para criticar políticos que defendem a liberdade de expressão, mas agem de maneira contrária nos bastidores. "Existem aqueles políticos que ficam ligando para redações de jornais para fazer reprimendas", comentou.

Futuro

Para o próximo ano, quando deixar o Senado, Marina pretende se dedicar ao Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) e trabalhar na reestruturação do PV. O objetivo é fazer com que partido se consolide na posição de terceira via da política brasileira "para que as pessoas tenham liberdade de escolha". "Quero trabalhar na construção desta terceira via", disse.

Quanto à sua posição em relação ao próximo governo, Marina disse que pretende contribuir de forma "madura e respeitosa" com o próximo presidente.

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