Marina agora quer que Aécio mude plano de governo

Lista de ex-ministra exige de tucano recuo na defesa de projeto que reduz a maioridade penal em casos específicos; candidato resiste

DAIENE CARDOSO, RICARDO DELLA COLETTA , JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

10 de outubro de 2014 | 02h02

A lista de exigências programáticas entregues à campanha de Aécio Neves para que Marina Silva apoie a candidatura do tucano no 2.º turno da eleição presidencial exige que o candidato do PSDB refaça parte de seu propostas para o programa de governo. Entre elas, consta o recuo na redução da maioria penal, o que o PSDB considera difícil de ser adotada, por se tratar de uma das bandeiras do partido.

O autor da proposta de emenda constitucional que reduz a maioridade penal é o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), candidato a vice-presidente na chapa de Aécio.

Estão na mesma lista o "desengavetamento" da política de demarcação de terras indígenas e unidades de conservação, metas de assentamento para reforma agrária, educação em tempo integral, passe livre para estudantes de escolas públicas e 10% do orçamento da União para gastos com a saúde.

Para a Rede Sustentabilidade, corrente política de Marina Silva abrigada no PSB, o governo da presidente Dilma Rousseff promoveu um retrocesso na área socioambiental.

O porta-voz da Rede, deputado federal Walter Feldman (SP), afirmou que o candidato do PSDB precisa de "uma flexão social". De acordo com ele, este é o objetivo da lista de propostas que o grupo político da ex-ministra Marina Silva entregou à campanha, por intermédio do deputado Marcus Pestana (PSDB-MG).

O deputado mineiro levará o pedido de Marina a outros coordenadores da campanha, como o senador eleito pelo Ceará, Tasso Jereissati, e a educadora Maria Helena Guimarães.

A resposta de Aécio deve definir qual posicionamento Marina adotará no 2º turno - de apoio à candidatura do PSDB ou de neutralidade.

Embora Marina ainda não tenha se manifestado, a Rede Sustentabilidade recomendou em nota que os eleitores não votem na presidente Dilma Rousseff e optem pelo voto branco, nulo ou em Aécio.

O manifesto, no entanto, lamenta que a "polarização entre PT e PSDB" tenha mais uma vez prevalecido na disputa, "dificultando a escolha de uma alternativa real de mudança". Também porta-voz da Rede, Gabriela Barbosa disse hoje que o "2º turno não é uma questão de escolha, mas de opção".

Compromisso. "O Aécio precisa de um compromisso social", disse Feldman pouco depois de uma reunião da coligação "Muda Brasil" (PHS, PRP, PPS, PPL, PSB, PSL e Rede). Das legendas que fazem parte da aliança, apenas o PPL se declarou neutro e não marchará com Aécio.

De acordo com o deputado, ao abraçar a agenda Marina Aécio Neves vai permitir o "avanço" do País.

Feldman disse que Marina espera que o candidato tucano incorpore a "nova política" em seu programa de governo para o 2.º turno. Ele comparou, ainda, o pedido feito a Aécio por mais compromissos sociais com a "Carta ao Povo Brasileiro", assinada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, na qual o petista prometeu manter as bases da política macroeconômica do período anterior para garantir a estabilidade do País e ganhou a confiança dos empresários.

Para Feldman, Lula promoveu uma "flexão econômica" ao reconhecer que o "(Plano) Real era o caminho".

Feldman também afirmou que o candidato do PSDB tem condições de ser o condutor de um reajuste econômico que o Brasil precisa. "A economia está no desvio", criticou o porta-voz da Rede.

Alto nível. Em uma carta com duas páginas enviada aos integrantes de sua coligação no 1.º turno, Marina Silva pediu que nesta nova etapa da sucessão presidencial os partidos que a acompanharam se recusem a participar da "guerra suja da destruição" e que não abram mão do debate programático de "alto nível".

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