Marina admite crise no PV, mas é evasiva sobre saída

Ex-senadora disse que agremiação precisa escolher se 'quer ser um partido ou apenas uma sigla'

Gustavo Uribe, da Agência Estado,

13 de junho de 2011 | 19h55

A ex-senadora Marina Silva (PV) foi evasiva nesta segunda-feira, 13, sobre a possibilidade de deixar o PV, partido que enfrenta atualmente uma crise política. A candidata da sigla à sucessão presidencial em 2010 frisou mais de uma vez que seu propósito atual é democratizar o PV e torná-lo um partido "moderno". Ela reconheceu que a sigla atravessa um momento de dificuldade, mas evitou criticar diretamente a atual direção e disse esperar que esta fase seja contornada. "Agora, nós estamos diante de um desafio muito grande, que é de fazer, em nós, aquilo que propomos para os outros", disse, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

A crise que atinge o PV se arrasta desde março, quando aliados da ex-senadora propuseram, em um documento, mudanças na estrutura partidária. O grupo de Marina Silva defende uma ampla campanha de filiação, recadastramento dos filiados e a promoção de eleições diretas para a direção do partido. A iniciativa encontrou resistência entre lideranças do partido, entre elas o atual presidente nacional do PV, José Luiz Penna. Diante do impasse, aliados da ex-senadora cogitaram sua saída do partido e a eventual criação de uma nova legenda, cujo nome inicial seria Partido da Causa Ecológica (PCE).

Na entrevista, a ex-senadora refutou o novo nome. "Eu acho até que o nome que deram denuncia a falta de proximidade com o tema." A ex-candidata do PV foi questionada ainda sobre que nome daria caso tivesse a intenção de criar uma nova sigla. "Eu não estou colocando essa questão agora, senão você perde o investimento que você está fazendo", respondeu. "O PV tem que decidir o que quer. Se ele quer ser um partido ou apenas uma sigla." A ex-senadora negou ainda que esteja dando um prazo para deixar a legenda e reconheceu que a demora da direção nacional em dar uma resposta às novas reivindicações "cria um desconforto".

Na avaliação dela, o PV tem agora todas as possibilidades de se tornar "este novo partido". A ex-senadora disse que ainda espera uma resposta da direção da agremiação sobre o tema. "Existiu uma parte (do PV) que reagiu muito mal às propostas. Agora, o problema é que três meses se passaram e não foi dada nenhuma resposta ainda", disse. "A minha condição é de que o PV precisa dar esse passo. Ele precisa promover a democratização do partido."

A ex-senadora disse ainda que não pretende ficar a priori na cadeira de candidata à sucessão presidencial pelo PV. Na avaliação dela, é necessário pensar bem o assunto. "Não vou ficar a priori na cadeira de presidente. Eu vou trabalhar pelo PV."

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