Marin usa CBF para se explicar sobre Herzog

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, resolveu utilizar o site da instituição para se defender da acusação política de que teria apoiado a ditadura militar e a perseguição de dissidentes. Ontem à tarde o site da entidade estampava, logo na sua abertura, a seguinte manchete: Desmascarando uma falsidade.

AE, Agência Estado

14 de março de 2013 | 08h28

Era o título do editorial produzido pela assessoria da CBF com o objetivo de refutar as acusações contra Marin, referentes ao período em que ele ainda era deputado estadual, pela extinta Arena - o partido que dava aparência legal à ditadura. Segundo o editorial, as acusações fazem parte de "uma torpe campanha", baseada em "mentiras e deturpação de fatos do passado", com o intuito de conturbar "as atividades do futebol brasileiro num momento de notória importância e delicadeza, quando se avizinha a realização, no Brasil, da Copa Mundial de 2014".

A questão da relação entre Marin e a ditadura provoca polêmica desde que ele assumiu o cargo, um ano atrás. No mês passado o assunto ganhou mais impulso com o lançamento, pela internet, de uma petição cobrando a sua destituição do cargo.

Até a tarde de ontem, a petição já havia recebido o apoio de 38 mil pessoas. Quando for atingida a meta de 50 mil assinaturas, ela será encaminhada à CBF.

Quem está à frente da iniciativa é Ivo Herzog, filho do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975, quando se encontrava detido nas dependências do Departamento de Operações e Informações (DOI), controlado pelo Exército, em São Paulo.

Ivo está convencido de que Marin estimulou a perseguição ao pai dele, que trabalhava na TV Cultura. A prova mais evidente seria um discurso feito pelo atual presidente da CBF, no dia 9 de setembro de 1975, no plenário da Assembleia de São Paulo. Na ocasião ele pediu providências das autoridades para fossem apuradas denúncias de que a TV Cultura, que é estatal, estaria sendo utilizada por jornalistas de esquerda para fazer proselitismo político.Poucos dias depois, Herzog foi preso e morto sob tortura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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