Marin se irrita ao ser relacionado à prisão de Herzog

Em entrevista concedida por telefone, o presidente da Comissão da Verdade - seção São Paulo -, deputado Adriano Diogo (PT), afirmou que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 (COL), José Maria Marin, "está comprometido até o pescoço com a morte do jornalista Vladimir Herzog", ocorrida em 1975, no Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 2.º Exército, na Vila Mariana, em São Paulo. Diogo foi procurado pela reportagem depois de uma reação exaltada de Marin à tarde, no Rio, durante encontro com a imprensa de comitiva da Fifa que visitava o Brasil.

SÍLVIO BARSETTI, Agência Estado

07 de março de 2013 | 20h33

O dirigente esportivo ficou irritado ao falar sobre sua eventual participação na prisão de Herzog, após uma pergunta dirigida ao secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, que tratava de denúncias contra o homem forte do futebol brasileiro.

"Desafio você (apontando para o jornalista do jornal O Estado de S. Paulo) a me trazer um documento em que eu tenha citado alguma vez em minha vida essa pessoa (Herzog) e em que eu tenha feito menção a esse acontecimento (prisão ou morte do jornalista, então diretor da TV Cultura)", declarou Marin, com o dedo em riste e com o tom de voz alterado.

Em 9 de outubro de 1975, Marin era deputado estadual pela Arena e fez um pronunciamento crítico na Assembleia Legislativa, voltado para Herzog. "É preciso, mais do que nunca, uma providência, a fim de que a tranquilidade volte a reinar, não só nesta Casa, mas principalmente nos lares paulistanos." Em 24 de outubro daquele ano, Herzog foi convocado para prestar informações no dia seguinte ao DOI-Codi. À tarde, de acordo com autoridades militares, ele teria se enforcado numa das celas.

Nesta quinta-feira, Marin, repetia durante sua intervenção num hotel do Rio. "Não fiz um discurso, fiz um aparte e o que estranho é que isso foi em 1975. Estou com minha consciência tranquila."

Apesar do desmentido de hoje - pela primeira vez Marin falou publicamente sobre o assunto desde que assumiu a presidência da Confederação Brasileira de Futebol, em março do ano passado - a Comissão da Verdade vai convidá-lo para que ele tente esclarecer alguns pontos com relação à prisão e morte do jornalista.

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