Mariana, em MG, assiste à posse de seu 5º prefeito

A menos de oito meses das eleições, a cidade histórica de Mariana, na região central de Minas, assistiu hoje à posse do quinto prefeito desde o pleito de 2008. O vice-prefeito Roberto Rodrigues (PTB) assumiu a vaga da correligionária Terezinha Ramos, cassada pela Câmara Municipal na noite de terça-feira, 14, acusada de usar recursos públicos para pagar serviços particulares de um escritório de advocacia.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

15 de fevereiro de 2012 | 14h03

A comissão processante da Câmara apurou denúncia apresentada pelo engenheiro Marcius Costa Machado, segundo a qual a prefeita pagou R$ 98 mil para o escritório cujo proprietário era sócio de seu advogado particular e ex-procurador do município. O caso já havia sido apurado pelo Ministério Público Estadual (MPE), que pediu o afastamento judicial da chefe do Executivo, mas os vereadores foram mais rápidos.

O pagamento foi feito para o escritório de advocacia justamente para defender Terezinha perante a Justiça Eleitoral, que em maio de 2010 cassou a prefeita e o vice por irregularidades na campanha. Em julho do ano passado, os advogados conseguiram liminar para que ela retornasse ao cargo, mas um mandado de segurança manteve como prefeito interino o então presidente da Câmara, Geraldo Sales de Souza (PDT), o Bambu. Pouco mais de um mês depois, porém, Terezinha conseguiu nova decisão favorável e reassumiu o cargo.

Só que o imbróglio começou ainda mais cedo, já que a dupla trabalhista ficou em segundo lugar nas eleições de 2008. Porém, eles assumiram os cargos depois que o vencedor do pleito, Roque Camello (PSDB), e seu vice, José Antunes Vieira (PR), foram cassados pela Justiça Eleitoral em 2009 por compra de votos. Com a cassação de Terezinha e Rodrigues em maio de 2010, o Executivo passou às mãos do então presidente da Câmara, Raimundo Horta (PMDB), substituído em janeiro de 2011 por Bambu após sua eleição para a presidência do Legislativo.

E a confusão pode durar até as vésperas da eleição, porque a defesa de Terezinha já adiantou que pretende recorrer. A reportagem não conseguiu localizar a ex-prefeita. A reportagem tentou falar com seu advogado, Arthur Magno e Silva Guerra, mas a informação é de que ele estava em reunião e até o fechamento desta reportagem não houve retorno das ligações.

Em números absolutos, Minas Gerais é o Estado com a maior quantidade de prefeitos cassados, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) divulgado no início da semana. Desde as eleições de 2008, 211 eleitos no País foram cassados, sendo que 30 (14,21%) foram de municípios mineiros. O segundo Estado com maior número de cassações é o Piauí, com 29.

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