Ed Ferreira / AE 13.09.2011
Ed Ferreira / AE 13.09.2011

Maria do Rosário pede votação da Comissão da Verdade em 2011

Ministra entregou uma carta aberta aos deputados com assinatura de outros ministros dos Direitos Humanos

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

13 de setembro de 2011 | 16h17

A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, foi ao Congresso Nacional nesta terça-feira, 13, pedir ao presidente da Câmara dos Deputados, deputado Marco Maia (PT-RS), a votação, ainda em 2011, do projeto de lei que cria a Comissão Nacional da Verdade. A ministra entregou uma carta aberta aos deputados com a assinatura de todos os outros ministros de Direitos Humanos (dos governos Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Rousseff) apoiando o projeto de lei que trata do assunto.

"Nós estamos maduros para votar essa matéria. O Brasil já está pronto", disse Maria do Rosário, que foi à reunião com Marco Maia e outros deputados acompanhada de ex-ministros de Direitos Humanos. "A presidente Dilma acredita que esse é um projeto que não é de governo nem de oposição, é um projeto do Brasil. Ele fortalece todos os empenhos, todos os momentos que a sociedade brasileira lutou para construir uma democracia. Acreditamos que o Congresso Nacional oferecerá uma aprovação a essa matéria para estar coerente inclusive com a sua história", defendeu a ministra.

A Comissão da Verdade pretende "examinar e esclarecer" as violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988. Deverá ser composta "de forma pluralista" por sete membros indicados pela Presidente da República, o que é que criticado pelo Democratas, que questiona a escolha dos representantes, alegando temer que a comissão sirva de palanque para alguns grupos.

"Não entramos nesse mérito (quanto à composição da comissão) sobre o projeto, mas a importância da Comissão da Verdade. Já conversei com o ACM Neto, todos os líderes, tivemos aceitação muito positiva, não vejo que qualquer detalhe impedirá a aprovação da matéria", disse a ministra.

Para o jurista José Gregori, que foi ministro de Direitos Humanos de 1997 a 2000, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, a presidente Dilma saberá quem colocar na comissão. "Tenho certeza que serão nomes que gozam da imagem de equilíbrio, de prestígio e isenção necessária para uma comissão como essa ser um instrumento de ajuda à democracia brasileira", afirmou.

"Ela é uma pessoa equilibrada e que conhece a pluralidade que é necessário manter nesse País. É possível que na mocidade tenha vivido momentos em que as opções eram muito radicais e que a opinião de outros não contava, bastava a consciência. Mas de lá para cá há toda uma biografia que foi construída em cima da realidade brasileira, e a realidade brasileira é pluralista", disse Gregori.

Na opinião do líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), a Comissão da Verdade tem de ser uma comissão do Executivo. "Não é uma comissão do Legislativo, o Legislativo não precisaria fazer parte de uma comissão dessas, estamos criando uma comissão do Executivo para ser a Comissão da Verdade. É a chefe de Estado do Brasil quem vai montar a comissão", completou.

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