Mares Guia tenta trazer para a base até seis senadores

Mesmo parlamentares de destaque na oposição, como ACM Neto e Demóstenes, estão sendo sondados

Expedito Filho, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

Uma operação para desidratar a oposição ganhou força no governo. O deputado ACM Neto (DEM-BA) e mais os senadores do DEM César Borges (BA), Demóstenes Torres (GO), Edison Lobão (MA), Romeu Tuma (SP) e Maria do Carmo (SE) são os alvos da articulação desencadeada pelo ministro Walfrido Mares Guia, das Relações Institucionais. ''''Estamos esperando de quatro a seis novos senadores para a base governista'''', revelou Mares Guia, em reunião com líderes e presidentes de partidos aliados na casa do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), quarta-feira.Alguns senadores preferem esperar até o Supremo Tribunal Federal (STF) decidir se deputados eleitos por uma legenda podem ou não trocar de partido sem ferir a fidelidade partidária - a resposta se estenderia aos senadores. Se a decisão for favorável ao troca-troca, o DEM corre o risco de tornar-se um exemplo de partido que mudou de nome e não convenceu. Para o governo, o esvaziamento da oposição possibilitaria folgada maioria no Senado.Na Câmara, ACM Neto, que se notabilizou na CPI dos Correios pela posição contundente contra o governo, chegou a ser convidado para um encontro com o presidente Lula no Palácio do Planalto. Ele agradeceu o convite e disse que prefere continuar no DEM - a correligionários informou que sequer cogitou a possibilidade de reunir-se com Lula. Mares Guia, porém, não desistiu. Com a promessa de ser líder do DEM na Câmara em 2008, ACM Neto tem trabalhado para conter a desidratação da legenda na Bahia.PÓS-ACMApós a morte do senador Antonio Carlos Magalhães, César Borges iniciou uma série de conversas com o PMDB. Essas conversas têm o patrocínio de Mares Guia e a bênção do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT). Já o senador Edison Lobão estaria apenas legitimando uma situação de fato ao mudar para um dos partidos da base governista. Mesmo nas fileiras do DEM, Lobão é considerado tão dócil que os governistas já o relacionam entre os votos da base. A ida para o PMDB seria um mero gesto burocrático.É outro o caso de Demóstenes Torres. Estrela emergente da oposição, o senador enfrenta dificuldades partidárias em Goiás e poderia mudar de sigla. Ele desconversa, mas aliados afirmam que sua saída depende da decisão do STF. No mesmo compasso de espera, Tuma e Maria do Carmo, pelas contas do governo, devem trocar o DEM por partidos da base.

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