Mares Guia ''''é problema do governo'''', avisa PT

Contrariando Lula, dirigentes não se engajam na defesa do ministro

Vera Rosa e Lisandra Paraguassú, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

26 de setembro de 2007 | 00h00

Na contramão do que deseja o presidente Lula, dirigentes do PT não parecem dispostos a se engajar na operação para ajudar o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia. Nenhum se moveu para defendê-lo até agora e ontem petistas saíram de reunião da Executiva Nacional cobrando da Procuradoria-Geral da República a apuração do mensalão mineiro - a Polícia Federal inclui o ministro entre os envolvidos."Walfrido já está fragilizado como articulador político do governo", afirmou o deputado Jilmar Tatto (SP), um dos vice-presidentes do PT. "Lula não pediu a opinião do PT para pôr o Walfrido lá e também não vamos dar opinião agora. Walfrido é um problema do governo."Na prática, o PT vê na crise a chance de reconquistar a articulação política do governo. Na reunião da Executiva, em Brasília, petistas acusaram a imprensa de fugir do foco da denúncia de caixa 2 e desvio de dinheiro público na campanha de Eduardo Azeredo (PSDB). "Por que mensalão mineiro? O mensalão é tucano e diz respeito à campanha de Azeredo", afirmou o secretário de Comunicação do PT, Gleber Naime, sem citar os petistas envolvidos no caso.Dois anos e três meses depois do escândalo do mensalão que atingiu governo e PT, petistas vêem no relatório da PF a chance de ir à forra contra o PSDB. Mas não querem defender Mares Guia, que nega a acusação. "Não é o PT que vai dizer se ele deve ou não ficar", disse Naime.Ao contrário dos petistas, líderes da base aliada foram à noite ao Planalto para um "desagravo" a Mares Guia, que de manhã já recebera a solidariedade de ministros. "Viemos trazer um abraço ao amigo que está sendo exposto por setores que o condenam antes do julgamento. É um homem imprescindível para o País", disse o líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE). "Viemos toda a liderança da base para demonstrar a importância que o ministro tem para o País."Em Nova York, Lula não quis falar do ministro. "Eu estou aqui, me conta você sobre ele", desconversou. Mas a auxiliares, já nos EUA, contou que pretende mantê-lo como articulador político mesmo se for denunciado pelo Ministério Público.Na segunda-feira o presidente ligou para tranqüilizar Mares Guia e pedir-lhe que não deixe de dar explicações para as denúncias. "Toca para a frente e faça seu trabalho", recomendou. COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

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