Mares Guia diz que Rondeau volta, mas ''''não é o momento''''

Lula espera Ministério Público decidir se pedirá processo contra ex-ministro

Vera Rosa e Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2007 | 00h00

Brasília - O ministro de Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, disse ontem que o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau deve voltar ao governo, mas evitou falar em datas. Acusado pela Polícia Federal de ter recebido R$ 100 mil de propina da Construtora Gautama, o ministro pediu demissão em maio. Mas ele nega a acusação e tem a confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o considera "injustiçado".Lula espera avaliação do Ministério Público sobre a Operação Navalha, da PF. Se o Ministério Público decidir não denunciar Rondeau, sua chance de reassumir é grande. "Ele deve voltar ao cargo, mas ainda não é o momento", afirmou Mares Guia, que, a pedido do presidente, chegou a sondar o ex-ministro sobre isso no mês passado.Desde de sua demissão, Minas e Energia está nas mãos de Nelson Hubner, que era secretário-executivo da pasta e permanece como interino. O PMDB chegou a indicar Márcio Zimmermann para o cargo, mas Lula preferiu aguardar a manifestação do Ministério Público.O ministro da Justiça, Tarso Genro, diz que não há provas contra Rondeau, mas agentes da PF sustentam que elas existem e mostrariam seu envolvimento num esquema para facilitar contratos da Gautama em obras do programa Luz Para Todos. Lula duvida da informação e, se reconduzir Rondeau, pretende aproveitar para dar uma estocada na PF. Seu argumento é de que os policiais muitas vezes "passam dos limites" e "vazam" notícias equivocadas, de acordo com seus interesses. "Parecem deputados", afirmou em mais de uma ocasião.Na quinta-feira, Lula conversou reservadamente com o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), e o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). Queria saber se a nomeação do ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde para Furnas eliminava a resistência do PMDB em esticar a validade da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e da Desvinculação das Receitas da União (DRU). Com o diagnóstico de que o gesto ajudava muito, o presidente insistiu, então, na necessidade de união na base aliada para enfrentar os adversários e prometeu encerrar a temporada de nomeações em 15 dias. Todos os que participaram do encontro tiveram a impressão de que Rondeau voltará, mas ninguém soube dizer se isso ocorrerá junto com a nova leva de indicações, embora os cargos mais importantes sejam justamente no setor elétrico.Em conversas reservadas, Lula já confirmou que a BR Distribuidora será administrada pelo ex-presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra, um dos nomes de peso do PT. Falta ainda nomear o comando da Eletrobrás, da Eletronorte e da Eletrosul, além de preencher diretorias da Petrobrás.

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