Mares Guia deixará ministério nesta 5ª após denúncia ao STF

Ministro apresentará a Lula uma carta com pedido de afastamento temporário, segundo sua assessoria

AE e Reuters

22 de novembro de 2007 | 14h58

O ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, entregará ainda nesta quinta-feira ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, uma carta com o pedido de afastamento temporário do cargo, informou a assessoria de imprensa do ministério. A carta já está pronta. A saída do ministro foi antecipada pelo Estado, na edição desta quinta-feira, 22. O líder do governo na Câmara, José Múcio (PTB-PE), é cotado para ocupar a vaga.  Mais cedo, o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, havia protocolado no Supremo Tribunal Federal (STF), denúncia contra Mares Guia por envolvimento no mensalão mineiro, suposto uso de caixa 2 na campanha de reeleição do então governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998. Azeredo e mais 13 também fazem parte da denúncia.  Veja Também:   Entenda o mensalão mineiro  Mares Guia é denunciado por mensalão mineiroConfira a íntegra da denúncia  Veja quem são os 15 denunciados pelo mensalão mineiro Denúncia é chance para comprovar inocência, diz Azeredo Procuradoria pede julgamento separado de sócio de ValérioFHC não defende Azeredo e diz que 'quem tem culpa, paga' Cotado para vaga, Múcio torce para que Mares Guia fiqueSaída de Mares Guia não atrapalhará CPMF, diz Mantega  Ainda segundo a assessoria, o ministro diz estar tranqüilo, acredita que será inocentado no caso e afirma que tudo na vida dele sempre foi lícito. Ainda esta tarde, Mares Guia dará coletiva à imprensa.  O relator do processo no STF, ministro Joaquim Barbosa, confirmou que já está com a denúncia, mas não soube precisar quais crimes cada um teria cometido. Ele apenas adiantou que de acordo com o Ministério Publico houve a prática de peculato e lavagem de dinheiro. A denúncia tem aproximadamente 80 páginas e cerca de 15 denunciados, incluindo o empresário Marcos Valério. Mares Guia seria apontado na denúncia como operador do esquema irregular da campanha à reeleição do então governador mineiro Eduardo Azeredo. O esquema, intermediado pela SMP&B, a agência do publicitário Marcos Valério, teria sido a gênese do mensalão repetido posteriormente pelo PT.  Durante a reunião do Conselho Político do governo que se estendeu até depois das 13 horas, o assunto não teria sido abordado, segundo o líder do governo na Câmara, José Mucio Monteiro (PE), companheiro de Mares Guia no PTB. "Posso dizer que todos nós estamos torcendo pelo melhor para o país. Todos os partidos sabem da extraordinária contribuição que Walfrido dá ao país", disse José Múcio, cujo nome é apontado como sucessor natural de Mares Guia.  Mares Guia é filiado ao PTB, partido que decidiu nesta quarta-feira romper com o bloco governista. O anúncio foi feito pelo senador Romeu Tuma (PTB-SP) após reunião realizada no gabinete da liderança do partido. Tuma disse que, apesar da decisão, os petebistas não estão passando para a oposição e sim adotando uma postura "mais independente", sem fechar questão nem contra nem a favor da aprovação da emenda que prorroga até 2011 a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Texto atualizado às 16h30

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