Mares Guia deixa governo após denúncia no STF

O ministro de Relações Institucionais,Walfrido dos Mares Guia, resolveu pedir seu afastamentotemporário do governo após ter sido denunciado ao SupremoTribunal Federal (STF) por suposta participação no esquema decaixa 2 durante campanha eleitoral ao governo de Minas Geraisem 1998. Mares Guia entregará ainda nesta quinta-feira ao presidenteLuiz Inácio Lula da Silva uma carta formalizando seu pedido deafastamento temporário do cargo, informou a assessoria deimprensa do ministro. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza,protocolou, mais cedo, denúncia contra o ministro e o senadorEduardo Azeredo (PSDB-MG) por envolvimento no suposto uso decaixa 2 durante a campanha do tucano à reeleição do governo deMinas em 1998. Mares Guia seria apontado na denúncia como operador doesquema irregular, intermediado pela SMP&B, agência dopublicitário Marcos Valério, e que teria sido a gênese domensalão, repetido no governo federal pelo PT. Em outubro, a Mesa Diretora do Senado decidiu não admitiruma representação contra Azeredo pelo suposto envolvimento noesquema porque os fatos apresentados na denúncia teriamacontecidos antes de o tucano se tornar senador. Antes mesmo do anúncio oficial da saída de Mares Guia, oministro da Fazenda, Guido Mantega, já lamentava o afastamentodo colega. "A saída do Walfrido é uma perda para o governo. O Walfridodesempenha um papel fundamental, um papel de articulaçãopolítica que... ele faz muito bem", disse Mantega ajornalistas. Os dois ministros vinham articulando com a base aliada asnegociações dentro do Congresso para a aprovação da proposta deprorrogação da CPMF até 2011. Apesar de não poder mais contar com o colega, Mantegademonstrou confiança no andamento das negociações para garantira cobrança do imposto do cheque por mais quatro anos. "Nós continuaremos, mesmo sem ele, a fazer as negociaçõesda CPMF", disse Mantega. "Não acredito que vá haver prejuízoporque eu acredito que nós vamos aprovar a prorrogação da CPMF.Nós já estamos conseguindo quórum adequado, principalmente coma base aliada", acrescentou o ministro. (Reportagem de Isabel Versiani)

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