Mares Guia acerta afastamento do cargo com Lula

Ministro avisa que só aguarda denúncia do procurador para sair; José Múcio Monteiro é cotado para o posto

Tânia Monteiro e Denise Madueño, O Estadao de S.Paulo

22 de novembro de 2007 | 00h00

Diante dos indícios de que pode mesmo ser denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, no caso do mensalão mineiro, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia, acertou ontem com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva o seu afastamento do governo."Saindo a denúncia, ele já disse ao presidente Lula que leva apenas uns 15 minutos para deixar o governo", disse ao Estado o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE).O "candidato natural" ao cargo é o próprio José Múcio, que é do mesmo partido de Mares Guia, o PTB. Ele se recusou a falar com o Estado sobre a possibilidade de substituir o ministro, mas um assessor de Lula disse ontem à noite que, "mesmo não estando batido o martelo, essa é uma hipótese muito provável". O procurador deve apresentar a denúncia do caso do mensalão mineiro até amanhã ou, no mais tardar, no início da semana que vem.Inquérito da Polícia Federal aponta o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) como mentor e principal beneficiário do esquema de arrecadação ilegal de recursos nas eleições de 1998, quando disputou - e perdeu para Itamar Franco - a reeleição ao governo de Minas. O inquérito relaciona 36 envolvidos, incluindo Mares Guia.O ministro já admitiu ter feito empréstimo de R$ 511 mil para cobrir dívidas de campanha de Azeredo não-declaradas. Segundo o relatório da PF, Mares Guia teria indicado políticos para receber dinheiro da campanha do tucano e ajudado a levantar um empréstimo no Banco Rural, mas ele nega ter participado da campanha.TEMPO PARA DEFESANos últimos dez dias, Mares Guia conversou formalmente com o presidente três vezes. Na semana passada, contou-lhe que indícios colhidos por seus advogados apontavam para a hipótese de ser denunciado. Anteontem e ontem, em mais duas audiências no Planalto, ficou definido que ele deixaria mesmo a pasta, "para se defender adequadamente". O ministro disse a Lula que não tinha como compatibilizar a articulação política com a defesa pessoal no processo mineiro e previu que pode precisar entre "15 e 30 dias para se defender".No fim da tarde de ontem, o presidente cancelou sua agenda depois da audiência das 16h45 com integrantes do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, não recebeu às 18 horas a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), e antecipou a audiência com o ministro, que estava inicialmente marcada para as 19 horas. A conversa durou mais de duas horas. Em um primeiro momento, Mares Guia seria mesmo afastado. A saída definitiva do governo dependerá de sua defesa e do andamento do processo. O caso do ministro agita o Planalto mais fortemente desde terça-feira, quando foi confirmado que o procurador-geral da República havia juntado novos documentos com provas sobre o mensalão federal e terminara o parecer sobre o mensalão mineiro, que também deve denunciar Azeredo.

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