Marconi Perillo interpela Cachoeira na Justiça por insinuações em artigo

Empresário tem até 48 horas para esclarecer se estava se referindo ao governador de Goiás

Marília Assunção / Goiânia, especial para o Estado ,

04 de julho de 2013 | 19h56

Goiânia - O governador  de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), protocolou nesta quinta-feira, 4, no Tribunal de Justiça de Goiás, uma interpelação judicial cobrando explicações do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Perillo pede que Cachoeira esclareça, em 48 horas, se estava se referindo especificamente a ele, direta ou indiretamente, nas insinuações definidas na interpelação como "equivocadas, ambíguas e dúbias", contidas no artigo publicado no jornal Diário da Manhã, de 11 de junho.

Outra pergunta feita é se Cachoeira conhece, sabe ou consegue apontar alguma irregularidade que o governador tenha praticado. De acordo com o advogado de Perillo, João Paulo Brzezinski, se Cachoeira não responder à interpelação, significa que ele não se referia ao governador e o assunto deve ser encerrado.

A intenção, frisa o advogado, é que as circunstâncias e o alcance do artigo, bem como as "situações revestidas de equivocidade, ambiguidade e dubiedade" da publicação, sejam apropriadamente esclarecidas. No documento, ele cita que Perillo é governador do Estado, no terceiro mandato, "responsável por zelar pelas ações do Poder Executivo" e cita o perigo de contaminação eleitoral com questões não esclarecidas, mesmo que o nome do governador não tenha sido claramente apontado como alvo do texto. 

A interpelação judicial é um recurso jurídico preparatório, usado em casos em que pode ter havido calúnia, injúria ou difamação. Por isto, se a resposta acontecer, afirma  o defensor, "dependendo do que ele (Cachoeira) disser e sobre qual trecho do artigo",  será movida uma ação penal. 

Cachoeira, que responde em liberdade à condenação de 39 anos por peculato, corrupção e formação de quadrilha, disse no início da noite que não vai se pronunciar sobre a interpelação.

No artigo que assinou, em desagravo à esposa, Andressa Mendonça, ele dizia: "Se quiserem saber onde estão os maiores problemas e as principais sangrias dentro desse governo é só encarar a briga que estou pronto para o embate. Em bom brasileirês (sic) falo com a cabeça erguida e com o peito arfante: cai pra dentro quem quiser que eu sustento o desafio. Escolham as armas".

Cachoeira se irritou porque a presença de Andressa teria sido ignorada e negada em uma festa beneficente no Palácio das Esmeraldas, sede social do governo.

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