Marconi Perillo é citado 237 vezes em escutas da Operação Monte Carlo

'O que dá para entender é que o governador de Goiás era o Cachoeira', disse Anthony Garotinho

Ricardo Brito, da Agência Estado,

10 Maio 2012 | 16h15

BRASÍLIA - O delegado Matheus Mella Rodrigues afirmou nesta quinta-feira, 10, na sessão reservada da CPI do Cachoeira, que durante as interceptações telefônicas feitas na Operação Monte Carlo o nome do governador de Goiás, Marconi Perillo, foi citado 237 por pessoas envolvidas no esquema comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira. A Monte Carlo levou à prisão Cachoeira e seu grupo no final de março.

O investigador disse que em apenas duas ocasiões Perillo aparece conversando diretamente com Cachoeira. As ligações, segundo parlamentares ouviram do delegado, serviram para marcar jantares com a participação dos dois.

"Fazendo uma figura de linguagem: o que dá para entender é que o governador de Goiás era o Cachoeira", afirmou o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ), que defende a imediata convocação do governador tucano para explicar a ligação de Perillo com o contraventor.

"O fato de existirem essas ligações não querem dizer nada", afirmou o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). O peemedebista disse, que, embora acredite que tenha havido uma "promiscuidade" de integrantes do governo de Goiás com o grupo do contraventor, é necessário avaliar a conveniência de convocar autoridades para não se perder o foco das investigações.

Na sua exposição inicial, o delegado também disse, segundo integrantes da CPI, que foram interceptadas com autorização judicial 260 mil ligações, das quais 17 mil consideradas pela PF como importantes para a investigação. Houve ainda 4 mil ligações fortuitas, quando surgem pessoas que originalmente não tem vinculação direta com os fatos sob apuração.

O investigador afirmou que há 81 autoridades com foro especial citadas nas conversas. Entre elas, vereadores, deputados federais e estaduais, senadores, secretários de Estado, ministros do Supremo Tribunal Federal.

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