Marco Aurélio nega aumento na compra de votos em 2006

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Marco Aurélio Mello, contestou nesta quarta-feira a pesquisa do Ibope que revelou um aumento na compra de votos nas últimas eleições três vezes maior do que em 2002. O levantamento encomendado pela ONG Transparência Brasil apontou que cerca de 8% do total de eleitores receberam propostas contra os 3% registrados anteriormente. Marco Aurélio nega o aumento. "Não há aumento, simplesmente tivemos uma transparência maior. E o período é salutar. As coisas estão aflorando." Para ele, a Justiça Eleitoral e o Ministério Público atuaram nos casos concretos, quando foram denunciados. "Atuamos com punhos de aço, embora com luva de pelica", afirmou.O ministro lembrou ainda a campanha institucional do TSE, como medida para alertar o eleitor sobre a importância do voto e coibir a prática de compra de votos. "Atuamos no campo pedagógico. O seu deputado vale tanto quanto o seu voto? O Brasil está nas suas mãos. Não podíamos fazer nada além disso", admite.Cláudio Weber Abramo, coordenador da ONG Transparência Brasil, discorda. Para ele, o resultado coloca em questão a integridade do sistema eleitoral brasileiro e responsabiliza o TSE por não ter diagnosticado e agido preventivamente em relação ao problema. Culpa também a omissão dos partidos e acredita que a prática pode ter alterado o rumo das eleições. Abramo diz que muitos dos eleitos em 2006 conquistaram o mandato com base na corrupção eleitoral. Com Vannildo Mendes

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.