Marco Aurélio Mello receberá família no Planalto

O clima de festa prevaleceu no Palácio do Planalto no segundo dia de interinidade do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio de Mello, à frente da Presidência da República. Amanhã, ele receberá sua família no gabinete presidencial para uma foto histórica, inclusive com as duas filhas que moram no Rio de Janeiro, mas estarão em Brasília só para isso.Mello contou que horas antes de assumir o cargo, na última quarta-feira, recebeu um telefonema do seu primo e ex-presidente Fernando Collor de Mello. Collor lhe desejou boa sorte e disse que a família estava orgulhosa com o fato de ele estar no Planalto. "O que mais me surpreendeu foi o excesso de segurança de um presidente da República", comentou o presidente interino, que chegou a pedir ao general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, que fossem evitados alguns procedimentos, que considerava dispensáveis. "Mas o general Cardoso me disse que segurança não é direito, é dever porque o que se protege é a instituição", afirmou Mello. Os servidores mais antigos comparam a passagem de Marco Aurélio pelo Planalto com a do ex-presidente da Câmara, Paes de Andrade, que chegava cedo ao palácio para tomar café, ali almoçava com a família e de lá só saía à noite. "Para ficar igual, só falta ele pedir um avião para ir à sua cidade natal", brincou um funcionário, ao lembrar que Paes de Andrade lotou o boeing presidencial de correligionários, em direção a Mombaça, no interior do Ceará, sua cidade natal. Hoje, pelo segundo dia consecutivo Marco Aurélio almoçou no Planalto. Almoçou com jornalistas, mas amanhã será a vez da família - sua mulher e os quatro filhos. O ponto alto de sua passagem pelo Planalto foi a cerimônia de sanção da criação da TV do Judiciário, que entra no ar em agosto. A preocupação maior do pessoal da segurança é com o final de semana, já que Marco Aurélio costuma ir ao supermercado e fazer caminhadas. Um esquema especial foi montado para acompanhá-lo. Na segunda-feira, por exemplo, ele já confirmou presença na aula de pós graduação sobre direito constitucional em uma universidade particular em Brasília. Depois de contar que havia pensado em ser engenheiro, não advogado, e que jamais imaginou que pudesse se tornar presidente da República, Marco Aurélio afirmou concordar com a tese do deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) - que pretende apresentar modificação na Constituição - de que quando o presidente da República viaja, ele continua comandando o País e nenhum interino deva assumir o cargo. "É uma tradição da República", comentou. "Muito embora essa proposta leve ao afastamento da possibilidade de uma realização como a que sinto no momento", lamentou. Marco Aurélio deve assumir o cargo outras três vezes.

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