Marco Aurélio Garcia nega interesse em controlar mídia

Assessor de Lula diz que tudo que PT apresentou no programa de Dilma será combinado com partidos aliados

Tânia Monteiro, enviada especial, O Estado de S.Paulo

21 de fevereiro de 2010 | 23h54

O coordenador do programa de governo da pré-candidata do PT à Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, assegurou que "não houve, não há e não haverá" controle sobre os meios de comunicação no Brasil. Em entrevista concedida após chegar a Cancún neste domingo, 21, para acompanhar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Cúpula da América Latina e Caribe, Marco Aurélio insistiu que "é natural" que a proposta de programa de governo do PT apresentado à pré-candidata Dilma Rousseff seja de esquerda, porque o PT é um partido de esquerda. Mas, reiterou que "não exercemos nenhum controle sobre os meios de comunicação e não vamos exercer". E emendou: "não tem razão para isso. Temos um forte compromisso com a democracia".

 

Para evitar polêmica com os partidos que fazem parte da base aliada e que o Planalto quer que continuem apoiando a ministra Dilma, Marco Aurélio comentou que tudo que está sendo apresentado pelo PT será combinado com os partidos da coligação, para dar prosseguimento aos avanços obtidos neste governo. "Voltar atrás não vamos voltar. O grande problema que está colocado hoje é que temos um programa e um conjunto de realizações que alicerça este programa", declarou ele lembrando que, até agora, a oposição passou sete anos combatendo o governo e como viram que isto não está dando certo, pois o governo tem 82% de popularidade, agora passaram a dizer que querem ser pós Lula. "Só que, para nós, pós Lula é com Dilma".

 

Marco Aurélio lembrou que o PT é um partido de esquerda, não tem razão para esconder isso. E ironizou: "o que é grave são os de direita que dizem que não são. Aliás, você para encontrar hoje uma pessoa de direita no Brasil tem de sair com lupa porque ninguém se identifica como de direita". O assessor de Lula, comentou também que o programa que foi aprovado anteontem na convenção do PT "contém um discurso muito claro, do modelo econômico e social, sobretudo, num clima de expansão da democracia, de aprofundamento das liberdades democráticas, direitos humanos, presença soberana do Brasil no mundo, estas são as questões fundamentais". Segundo Marco Aurélio, "se a oposição tiver propostas, que as apresente porque até agora não apresentou".

 

Diante da insistência da imprensa que queria saber sobre propostas polêmicas que existem no programa de governo, como de controle dos meios de comunicação, ele reiterou: "não há nada de controle dos meios de comunicação, não há absolutamente nada e quem tiver dúvidas a este respeito, basta ler os jornais, ouvir as rádios e ver as televisões e verá que, muito pelo contrário". Marco Aurélio disse ainda que a ministra Dilma em seu discurso defendeu uma efetiva reforma tributária. "As propostas outras, mesmo a que poderia ser mais polêmica, das 40 horas, eu acho que pode ser objeto de negociação, já que está sendo discutida no Congresso Nacional. Isso não é proposta que vai ser apresentada por decreto", disse ele, comentando que, pessoalmente, é favorável a esta medida, que, acentuou, precisa ser acompanhada de outras medidas, como política de credito.

 

Ao ser questionado sobre a proposta de taxar grandes fortunas, depois de lembrar que ela já existe em muitos outros países, Marco Aurélio observou que "este é um enunciado muito grande, muito geral" e comentou que é preciso que todos esteja, atentos que a estrutura tributária brasileira penalizar a todos que não têm grandes fortunas e se concentra muito em impostos indiretos. "Precisamos de uma reforma tributária mais justa", defendeu ele, ressaltando que há uma disposição de reduzir esta carga, mas que ela precisa vir com um crescimento maior da economia porque a execução das políticas depende destes recursos.

 

Marco Aurélio aproveitou para alfinetar a oposição ao dizer que, no governo passado, a carga tributária era maior. "Ela já foi consideravelmente maior no governo passado", disse ele, acentuando que "a carga tributária no Brasil não é tão grande".

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