Marco Aurélio Garcia faz duras críticas ao governo FHC

O assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, fez hoje duras críticas ao governo de Fernando Henrique Cardoso, a quem atribui boa parte da responsabilidade pelo forte ajuste vivido pela economia brasileira nos últimos seis meses. ?O Fernando Henrique não adotou uma política responsável, ele nos deixou uma bomba que teve de ser desmontada nos últimos meses?, disse Garcia, que está em Londres participando da conferência Governança Progressista. Segundo ele, lideranças do PSDB estimularam no ano passado um clima de temor com a perspectiva de vitória de Luiz Inácio Lula da Silva. ?Eles passaram a mensagem de que o Brasil com Lula poderia ser uma mistura de Argentina com Venezuela, países que viviam sérias crises e acabaram deixando o país com uma enorme vulnerabilidade externa, o dólar a quatro reais, a inflação nos dois dígitos.? Segundo ele, diante do ?passivo deixado pelo governo anterior, vai levar muito tempo para colocar o país em ordem?. Garcia afirmou que o governo anterior não fez nada no âmbito das reformas. Sobre a alegação de lideranças tucanas de que as reformas foram impossibilitadas no governo FHC pela oposição do PT no Congresso Nacional, o assessor presidencial disse que ?se o PT tivesse poder de veto, não teria vetado a política monetária, a política externa e tantos outros erros cometidos?. E acrescentou: ?Mas o Fernando Henrique conseguiu votos no Congresso para a reforma mais importante de seu governo: a sua reeleição.? Garcia rebateu as comparações entre o governo anterior e o atual. ?Não são similares, na política econômica, por exemplo, estamos tendo que fazer o que Fernando Henrique não fez em oito anos?, disse. ?Se ele tivesse feito o necessário, não teríamos que estar fazendo esse enorme esforço agora.? Segundo o secretário, a política externa de Lula e FHC também são diferentes. ?A diferença fundamental na política externa é que no governo anterior predominou a política do gogó, muito ruído para poucos resultados concretos?, disse. ?O Fernando Henrique saiu-se bem, mas o Brasil nem tanto.?

Agencia Estado,

11 de julho de 2003 | 09h20

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