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Marco Aurélio Garcia diz que política externa de Temer tem visão preconceituosa e atrasada

Em vídeo postado no perfil de Dilma no Facebook, o ex-assessor especial da presidente afastada criticou o ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o presidente em exercício, Michel Temer, citando as notícias de suposto fechamento de embaixadas na África e no Caribe

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2016 | 15h54

BRASÍLIA - O ex-assessor especial para área internacional do governo da presidente afastada Dilma Rousseff, Marco Aurélio Garcia, criticou a política externa do presidente em exercício, Michel Temer, e do novo ministro das Relações Exteriores, José Serra. "Há quem diga que estamos assistindo ao surgimento de uma nova política externa. De nova não tem nada, é velha. É a velha política que conseguimos reverter a partir de 2003 quando o presidente Lula assumiu a chefia da nação e que depois teve uma continuidade nos anos que seguiram", afirmou, em um vídeo postado no Facebook de Dilma.

Garcia criticou as notícias de suposto fechamento de embaixadas e afirmou que o governo em exercício reforça uma visão "conservadora". "Fechar embaixadas na África, no Caribe, segundo eu escutei como uma opinião do governo interino e do chanceler interino, me parece um absurdo extraordinário", disse.

Para ele, o fechamento de embaixadas é uma "visão preconceituosa e atrasada". "É uma visão na qual está presente sem dúvida o conservadorismo do pensamento político brasileiro", afirmou. "São embaixadas pequenas, de custo reduzido, que às vezes têm um ou dois funcionários. Até defenderia que nós devíamos ampliar", completou.

Na apresentação do vídeo, a presidente afastada anuncia que "o governo eleito explica hoje a nossa política externa e as diferenças que temos em relação à política externa do governo provisório".

Garcia diz que o governo petista entendeu que o país poderia ser uma potência regional em um mundo multipolar. "É mais importante que estejamos neste mundo multipolar com os países da região do que estejamos isolados", diz, ressaltando que isso não fez com que o governo rompesse as alianças tradicionais, com Estados Unidos, Europa e Japão. "O que nós fizemos foi um jogo político equilibrado."

O ex-assessor especial fez questão de destacar a importância da África no comércio com o Brasil, disse que só no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o comércio cresceu cinco vezes. "Se nós ficarmos dentro dessa política medíocre que esta sendo proposta, vamos ter um lugar pequeno, aquele lugar que tínhamos há 20 anos. Se conseguirmos efetivamente romper com essa visão medíocre, provinciana, conversadora, nós teremos a possibilidade de reconstruir nossa política externa", afirmou.

Defesa. Ontem, em Paris, Serra negou a intenção de fechar embaixadas e as especulações de que as representações em Serra Leoa e Libéria seriam as duas primeiras atingidas. Ele acusou a oposição do PT de inventar a informação. "Isso não tem nada a ver. É uma onda sem pé nem cabeça. Eu apenas mandei fazer uma análise da utilidade e dos custos de cada embaixada. É uma providência elementar", justificou. "Como esse pessoal do PT não tem nada para falar a respeito do atual quadro, ficam caraminholando em torno dessas coisas."

O chanceler reiterou o interesse do Brasil em se aproximar da África. "Para nós, (a visita) foi um primeiro contato com a África, claro que em uma região bastante restrita, mas um começo de preparação para o encontro Brasil-África que faremos no ano que vem", disse.

Em seu discurso de transmissão de cargo, no dia 18, Serra fez críticas à relação entre o Brasil e a África durante a gestão do PT na Presidência da República e afirmou que a África moderna não pede compaixão, mas efetivo intercâmbio. "Não pode essa relação restringir-se a laços fraternos do passado", afirmou.

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