Marco Aurélio critica Dirceu por intenção de recorrer a cortes internacionais

Ministro do Supremo Tribunal Federal questiona reação de ex-ministro e espera que julgamento do mensalão acabe nesta quarta-feira: 'Ninguém aguenta mais'

Luciana Nunes Leal - O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2013 | 08h42

RIO - Na véspera da sessão que pode encerrar o julgamento do mensalão, nesta quarta-feira, 11, o ministro do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello criticou o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, condenado no processo, por anunciar que recorrerá à Corte Interamericana de Direitos Humanos, se a pena for mantida.

 

"Não consigo perceber como alguém possa recorrer a um organismo internacional quando condenado por um órgão de cúpula do Judiciário brasileiro pelo crime de quadrilha e corrupção. Alguma coisa aí não fecha", afirmou Mello, que viajou ao Rio de Janeiro para prestigiar a posse do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na Academia Brasileira de Letras, na noite dessa terça-feira, 10. Condenado a dez anos e dez meses de prisão, Dirceu declarou ser "alvo de ódio" da elite brasileira e afirmou que continuará a se defender mesmo que o STF termine o julgamento.

 

Na sessão desta quarta, a Corte dará sequência a discussão para decidir se serão aceitos ou não os chamados embargos infringentes. Se aceitos, 11 dos 25 condenados, entre eles Dirceu, terão direito a novo julgamento. Caso os ministros recusem, tem início o debate sobre o cumprimento das penas.

 

O ministro disse esperar que o julgamento acabe nesta quarta. "Tenho expectativa de que se encerre amanhã (quarta-feira). Ninguém aguenta mais, nem a sociedade nem nós que participamos do julgamento. Foi um semestre inteiro julgando só esse processo, o tribunal se tornou um tribunal de processo único e agora estamos há oito sessões julgando embargos declaratórios. Agora temos que definir se cabem ou não recursos de revisão, representados pelos embargos infringentes. Com a palavra, a maioria", disse o ministro durante o coquetel na sede da ABL, depois da posse de Fernando Henrique. "É muito importante terminarmos amanhã. Tivemos uma delonga maior pelos incidentes provocados pelo presidente (do Supremo, Joaquim Barbosa). Foi muito ruim, mas acho que agora encerramos", afirmou Mello.

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