Márcio Thomaz Bastos é cremado em São Paulo

Márcio Thomaz Bastos é cremado em São Paulo

Cerimônia de cremação reuniu apenas familiares e amigos próximos; ex-presidente Lula também compareceu

Igor Gadelha e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

21 de novembro de 2014 | 10h55

Itapecerica da Serra - A cerimônia de cremação do corpo do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos ocorreu na manhã desta sexta-feira, 21, no Cemitério e Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, Região Metropolitana de São Paulo. A cremação de fato só deve ocorrer 24 horas após a celebração. A pedido do próprio jurista, ele foi velado e será cremado com a mesma beca que usava há anos, chamada por ele de "beca da sorte".

MTB, como era chamado pelos amigos, chamava a peça de "beca da sorte" desde que a vestiu no célebre julgamento dos assassinos do líder ambientalista Chico Mendes - executado a tiros em dezembro de 1988 -, no qual atuou como assistente de acusação. Além de familiares e amigos próximos, a cerimônia de cremação, que começou por volta das 9h50, contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Thomaz Bastos morreu na manhã dessa quinta-feira em São Paulo, aos 79 anos. Segundo boletim do Hospital Sírio Libanês, onde estava internado desde o último dia 13 de novembro, ele morreu vítima de complicações pulmonares. O jurista deixa a mulher, Maria Leonor de Castro Bastos, uma filha, Marcela Bastos, e dois netos.

A cerimônia de cremação ocorreu após o término do velório, realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Políticos do mais variados partidos e advogados e integrantes do Judiciário foram à Assembleia. A presidente Dilma Rousseff e o vice presidente Michel Temer compareceram ao local. O senador Aloyzio Nunes Ferreira e o senador eleito José Serra, ambos do PSDB, também compareceram.

Trajetória. Thomaz Bastos foi ministro entre 2003 e 2007, nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também presidiu a OAB-SP entre os anos 1983 e 1985 e o Conselho Federal da OAB entre 1987 e 1989. Considerado um dos melhores criminalistas do país, ele é apontado ainda como o responsável por reestruturar o papel da Polícia Federal, com foco também em investigações sobre atos de improbidade administrativa e desvios de recursos públicos. O ex-ministro também foi o criador do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que tem atribuição de fiscalizar o Judiciário.

O advogado criminalista atuou ainda em julgamentos como o do processo do mensalão, na defesa de réus ligados ao Banco Rural, e na acusação dos envolvidos na morte do ativista ambiental Chico Mendes. Atualmente, Thomaz Bastos era o coordenador da defesa de empreiteiras investigadas pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O criminalista também destacou-se pela participação nos movimentos das Diretas Já e, ao lado de outros juristas, participou da redação da petição do impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello, em 1992.

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