Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Márcio Lobão tem Adriana Varejão, Beatriz Milhazes e Volpi

Filho do senador Edison Lobão, suspeito de receber propina por construção de usina, tem apartamento no Leme decorado com nomes da arte contemporânea brasileira

Roberta Pennafort, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2017 | 20h05

RIO - Márcio Lobão é figura conhecida no meio das artes do Rio. Sua coleção inclui obras de artistas contemporâneos dos mais valorizados do Brasil, como Adriana Varejão e Beatriz Milhazes, além do modernista Volpi (1896-1988), também com preços elevados. O filho do senador Edison Lobão (PMDB-MA), que teria recebido propina pela obra da usina de Belo Monte, conforme delações feitas à Lava Jato, apurou seu gosto pela arte brasileira com o sogro. Trata-se do advogado Sergio Fadel, dono de um dos três conjuntos mais vultosos de arte brasileira.

Na quinta, 16, a Polícia Federal localizou a coleção de Lobão, alvo da Operação Leviatã, em endereços como seu apartamento na Praia do Leme, zona sul do Rio. Segundo a PF, são 1.200 itens, mas galeristas ouvidos pelo Estado consideram que esse montante é exagerado. A defesa de Lobão afirma que ele não praticou qualquer ato ilícito, ressalvando que não teve acesso “aos fundados do mandado de busca.” A PF não deu detalhes sobre as obras.

Presidente da Brasilcap, empresa do grupo Banco do Brasil, Lobão é descrito como um bom negociador de arte, contaram ao Estado galeristas que atendem a elite carioca. “Acha tudo caríssimo, como se o dinheiro dele fosse muito suado, difícil de ganhar. É muito vaidoso”, disse um profissional com larga experiência no ramo. Lobão é visto em leilões e exposições, e escolhe o que comprar com base no gosto pessoal, contou outro. Curadores já pediram obras emprestadas para exposições, o que denota o relevo de seu acervo.

“Ele formou uma coleção importante de arte contemporânea. É eclética, o que é comum entre colecionadores jovens. Não tem muitas peças do mesmo artista, mas reúne coisas interessantes. Circula no meio sempre com a mulher, muito sofisticada”, contou um amigo da família.

O casamento com a advogada Marta Martins Fadel Lobão, em 2001, foi suntuoso e atraiu políticos de todo o País, como o então presidente do Supremo Tribunal Federal Marco Aurélio Mello e o então vice-presidente da República Marco Maciel, que era um dos padrinhos. A cerimônia foi na Igreja da Candelária, uma das maiores da cidade, e a festa, no Forte de Copacabana. Na sequência, Marta foi convidada para trabalhar no gabinete do sogro, no Senado.

O casal de advogados Hecilda e Sérgio Fadel são anfitriões de jantares e festas refinados em seu apartamento na praia do Leme. A abrangente coleção de obras, adquiridas há 50 anos e que vão do século 17 ao 21, atraem olhares e tomam paredes de todos os cômodos, inclusive no banheiro, estendendo-se por outros imóveis. A reportagem tentou contato com Lobão, a mulher e os sogros, mas não obteve resposta.

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