Marco Ambrosio
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Márcio França entra na disputa pela presidência do PSB

Vice-governador de SP quer, com o cargo, pavimentar o apoio do partido à candidatura de Alckmin ao Planalto

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

21 Março 2017 | 05h00

Um dos principais articuladores da pré-candidatura presidencial do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), o vice-governador Márcio França atua nos bastidores para assumir a presidência nacional do PSB. 

Atual secretário de Finanças do diretório nacional e presidente da legenda em São Paulo, França espera assumir o cargo para pavimentar o apoio dos pessebistas ao projeto do tucano. 

Alckmin, que disputa internamente no PSDB a vaga de candidato em 2018 com os senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP), recebeu sinais de que o PSB estaria disposto a lançá-lo na disputa caso ele não se viabilize pela sigla. Se conseguir a vaga, o governador paulista teria o PSB em seu palanque. 

Embora negue a intenção de deixar o PSDB, Alckmin pressiona a executiva tucana a antecipar a escolha do candidato do partido – ou pelo menos regulamentar o processo de prévias – até outubro. 

França deve se reunir nesta semana com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e com o presidente da legenda, Carlos Siqueira, para tratar do assunto. 

Mesmo após a morte do ex-governador Eduardo Campos, o Estado continuou sendo, ao lado de São Paulo, o principal polo de poder do PSB, que tem sete senadores, três governadores, 33 deputados federais e o ministro das Minas e Energia, Fernando Bezerra Filho. 

Renovação. Procurado pelo Estado, Carlos Siqueira disse que não pretende tratar publicamente do assunto até julho, quando o PSB começará seu processo interno de renovação de quadros. Pelo estatuto do partido, a escolha dos dirigentes começa com a eleição de delegados municipais. Em seguida, entre agosto e setembro, esses quadros elegem os delegados estaduais, que, por sua vez, escolhem os nacionais. 

A reportagem apurou que Paulo Câmara resiste à escolha de França para presidir o partido. A princípio, o governador pernambucano tende a apoiar a reeleição de Siqueira, que é pernambucano e era um dos mais próximos de Eduardo Campos. 

Aliados de Alckmin avaliam, porém, que a boa a relação entre o tucano, Paulo Câmara e a família de Campos pode abrir caminho para um acordo.

Em dezembro, o governador paulista assinou no Palácio dos Bandeirantes um termo de empréstimo de bombas para combater a seca nos Estados da Paraíba e Pernambuco.

Antes disso, em outubro, ele viajou a Pernambuco para o lançamento de testes de vacina de combate à dengue e aproveitou para se reunir reservadamente com Paulo Câmara. 

Dobradinha. Ao analisar o cenário para as eleições de 2018, aliados de Márcio França e políticos tucanos com trânsito no Palácio dos Bandeirantes sonham com uma chapa encabeçada por Alckmin e com o governador de Pernambuco como vice. 

Além de unir PSB e PSDB, essa composição estabeleceria uma base consistente no Nordeste, onde reside o eleitorado mais forte de dois pré-candidatos da oposição: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT). 

A “opção Alckmin” esbarra, entretanto, na resistência dos setores mais “ideológicos” do PSB. Esses grupos, que foram contra o impeachment de Dilma Rousseff, estão concentrados justamente em diretórios nordestinos, especialmente na Paraíba.

Esse setor pressiona, por exemplo, para que o PSB se coloque contra a reforma da Previdência proposta pelo presidente Michel Temer. Por outro lado, a condução de França ao comando partidário contaria, segundo a avaliação de dirigentes pessebistas, com o apoio da maioria da bancada na Câmara, além da simpatia do senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho. 

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