Marcha do MST pelo Abril Vermelho chega nesta segunda a Salvador

Manifestantes farão protestos para acelerar a reforma agrária e contra o massacre de Eldorado

25 de abril de 2010 | 18h41

Eliana Lima, de O Estado de S. Paulo

 

SALVADOR- Os cerca de cinco mil militantes baianos do Movimento dos Sem Terra que participam de uma marcha entre as cidades de Feira de Santana e Salvador devem chegar nesta segunda-feira, 26, à capital.

 

Eles partiram de Feira há uma semana, na segunda-feira, 19, para percorrer os 108 km que separam as duas cidades, pela BR-324, uma das estradas mais movimentadas da Bahia. A caminhada faz parte da programação do Abril Vermelho, a jornada de lutas do MST.

 

Em Salvador, os manifestantes farão, no primeiro dia, um protesto em frente ao canteiro de obras do Metrô no Acesso Norte, na Rótula do Abacaxi. Na terça, 27, os membros do MST seguem para o Centro Administrativo (CAB) para protestar na sede do Incra.

 

O movimento pretende chamar a atenção para a necessidade de o governo acelerar a reforma agrária no País. Marca também os 14 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará, quando 19 trabalhadores foram mortos por policiais militares no dia 17 de abril de 1996.

 

"Não podemos permitir que esse crime caia no esquecimento. É preciso que haja punição para os assassinos", prega a diretora do MST Luci Barbosa.

 

A marcha também tem como fim chamar a atenção para a falta de estrutura nos assentamentos e a lentidão do governo em obter terras para assentar as famílias acampadas. Conforme a direção estadual do movimento, atualmente cerca de 25 mil famílias aguardam por assentamento no Estado.

 

Terra invadida

 

Já no extremo-sul baiano, no município de Eunápolis, outro grupo de cerca de 400 militantes mantêm, há uma semana, a ocupação da fazenda Barrinha, da Veracel Celulose S/A, que atua no plantio de eucalipto na região. Segundo um dos coordenadores do MST, Márcio Matos, não há perspectivas de desocupação no lugar. Essa é a segunda vez que o MST invade a propriedade.

 

De acordo com Márcio, a invasão tem como objetivo pressionar o governo, que paralisou a reforma agrária na região, enquanto avança o plantio de eucalipto, "sem licenciamento ambiental, sem zoneamento e sem planejamento". O que, na opinião dele reduz a área disponível para o plantio de alimento e não gera emprego.

 

"Na melhor das hipóteses emprega uma mão de obra mais qualificada, originária de outros estados", diz.

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