Marcha do MST avança 23 quilômetros no RS

A marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltou à BR-392 nesta quarta-feira, depois de permanecer quatro dias parada na Granja Paineira, no interior de São Sepé, na região central do Rio Grande do Sul. Os cerca de 800 manifestantes caminharam 23 quilômetros e, ao anoitecer, armaram acampamento à margem da rodovia, já perto do entroncamento com a BR-290. Eles estão a cerca de 100 quilômetros de São Gabriel, município onde pretendem fazer um ato público com 10 mil pessoas e onde esperam, depois da decisão da Justiça, ocupar 13,2 mil hectares que a União tenta desapropriar do agropecuarista Alfredo Southall.Em todos os deslocamentos, a marcha é acompanhada por soldados da Brigada Militar e monitorada por ruralistas. Os produtores rurais, que já bloquearam duas vezes a passagem dos militantes do MST, começaram a programar uma reação aos novos deslocamentos. Mas a decisão só será tomada nos próximos dias, depois de uma consulta a todos os sindicatos rurais da região. "Faremos um contraponto evidenciando a falência do atual modelo de reforma agrária, a defesa do direito de propriedade e pedindo definição para o plantio de transgênicos", anuncia o presidente do Sindicato Rural de São Gabriel, José Francisco Costa.O MST encaminhou à promotoria de São Sepé, nesta quarta-feira, uma queixa-crime contra os líderes dos ruralistas que impediram a marcha de entrar na cidade no sábado passado, alegando que o grupo teve seus direitos de ir e vir e de manifestação cerceados. O Sindicato Nacional dos Produtores Rurais (Sinapro) também fez denúncias ao promotor Sandro Marones, pedindo a prisão preventiva dos líderes da caminhada dos sem-terra para evitar que a manifestação acabe em invasão de alguma propriedade.

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