Marcha da CUT e dos sem-teto reúne 7 mil 'contra a direita'

Marcha da CUT e dos sem-teto reúne 7 mil 'contra a direita'

Protesto em São Paulo foi reação à manifestação realizada há 2 semanas, que pedia o impeachment da presidente Dilma

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2014 | 18h16

 Atualizado às 22h00

São Paulo - A chuva que caiu no final da tarde desta quinta-feira, 13, em São Paulo não espantou os cerca de 7 mil manifestantes, segundo estimativas da Polícia Militar, que marcharam pelas ruas da região central da capital com o lema "Contra a direita e por mais direitos". O ato de militantes ligados ao Movimento dos trabalhadores Sem Teto (MTST) e à Central Única dos Trabalhadores (CUT) foi uma reação à manifestação realizada há duas semanas, que pedia o impeachment da presidente Dilma Roussef.

De acordo com os organizadores, a marcha tinha por objetivo também cobrar o comprometimento da presidente com reformas populares no seu segundo mandato. "Estamos aqui para mostrar que enquanto eles reúnem mil pessoas para defender causas caras ao povo brasileiro, como a volta da ditadura e o ódio a nordestinos, nós reunimos cinco vezes mais por causas como reformas política e tributária", disse o coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos.

No ato contra Dilma algumas pessoas levaram cartazes e defenderam a volta de uma intervenção militar no País.

A manifestação desta quinta se concentrou em frente ao vão do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e, com faixas, cartazes e dois carros de som, ocupou uma pista da Avenida Paulista. Depois, os manifestantes seguiram por ruas do Jardins, bairro nobre da capital paulistana. O trajeto foi encerrado na Praça Roosevelt, também no centro.

Enquanto passava pelas rua Augusta e a Alameda Jaú, nos Jardins, o carro de som tocou músicas de Luiz Gonzaga e Zé Ramalho, dois ícones da cultura nordestina. Manifestantes carregavam pás e enxadas e dançaram forró. "A playboyzada ficou revoltada porque o titio Aécio perdeu a eleição. Vamos mostrar que intervenção não é militar, é popular", disse Boulos do alto do carro de som. Em um recado à presidente Dilma, o líder do MTST afirmou que, no segundo mandato, os movimentos sociais estarão nas ruas mantendo as cobranças por suas causas. "Não aceitaremos que não ela governe para os trabalhadores. (Dilma) Foi eleita para fazer essas mudanças e vamos estar na rua cobrando essas mudanças do nosso jeito, com ocupação e com pressão", afirmou. "Queremos reforma agrária, queremos redução da jornada, queremos todas as reformas que o País precisa."

‘Acabou a eleição’. O presidente da CUT, Vagner Freitas, foi na mesma linha. Segundo ele, a marcha teve como objetivo mostrar "que não são só os reacionários que vão para a rua". "Esse ato é para dizer que acabou a eleição." Ao direcionar seu discurso para o governo, Freitas disse que o "povo não votou para ter banqueiro como presidente do Banco Central nem como ministro da Fazenda. "Queremos que o governo olhe para a gente, queremos a diminuição da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário."

A marcha foi acompanhada por 300 homens do Batalhão da Polícia Militar. Até a conclusão desta edição não haviam sido registrados incidentes.

 

Nas páginas dos eventos são divulgados ainda textos pedindo aos manifestantes para não levarem cartazes em favor do regime militar. No ato de primeiro de novembro que pedia o impeachment de Dilma na Av. Paulista foram registrados vários manifestantes pedindo intervenção militar, o que causou grande repercussão negativa.

Impeachment. A iniciativa desta quinta ocorreu às vésperas de uma nova manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff marcada para o próximo sábado, 15, também no vão livre do Masp. Ao menos três eventos organizados por diferentes grupos foram agendados na rede social.

Nas páginas dos eventos são divulgados ainda textos pedindo aos manifestantes para não levarem cartazes em favor do regime militar. No ato de primeiro de novembro que pedia o impeachment de Dilma na Av. Paulista foram registrados vários manifestantes pedindo intervenção militar, o que causou grande repercussão negativa

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