Marcha contra desigualdade deve reunir 50 mil em São Paulo

Manifestação é um dos atos programados para esta quinta-feira na cidade em defesa da promoção social

Agência Brasil

20 de novembro de 2008 | 15h21

Cinquenta mil pessoas são esperadas para a quinta edição da Marcha da Consciência Negra , que estava prevista para sair às 15 horas desta quinta-feira, 20, Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista, rumo à Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital paulista. A expectativa é da historiadora e mestre em sociologia e política da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Gevanilda Santos, que faz parte da Coordenação Nacional de Entidades Negras (Conen).  Veja também:Reitor da Unipalmares fala no combate ao racismo I  Reitor da Unipalmares fala no combate ao racismo II  Data lembra a morte de Zumbi dos Palmares O que abre e o que fecha no feriado da Consciência Negra   No feriado, 1,6 milhão de veículo devem deixar São Paulo    Rodovias de SP devem receber mais de 2,5 mi de veículos no feriado Saiba em quais cidades é feriado no dia 20  Com o tema Os 120 Anos da Abolição da Escravatura Inacabada, a manifestação é um dos diversos atos programados para esta quinta-feira na cidade em defesa da promoção social da população afrodescendente e do fim do racismo no país. Hoje é feriado na capital paulista e em outras 21 cidades do estado, em homenagem a Zumbi dos Palmares, símbolo da luta dos afrodescendentes. A historiadora poderou que, juridicamente, a abolição pressupõe o fim do trabalho escravo e a instituição do direito à cidadania e de acesso dos negros às melhores condições de desenvolvimento na sociedade, mas que, na realidade, "não é exatamente isso que ocorre porque o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano)entre a população negra é duas vezes menor do que entre os não-negros". A especialista lembra que "ainda existem muitas desigualdades e falta de acesso [dos negros] aos melhores postos de trabalho, à edução e a outras formas de desenvolvimento". Segundo ela, em todo o país existem hoje entre 2 mil e 4 mil pessoas vivendo em quilombolas com dificuldades de acesso aos meios para se atingir padrões ideais de desenvolvimento humano. Gevanilda reconhece, no entanto, que durante o governo anterior e na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as políticas públicas "diminuíram as diferenças entre negros e brancos, permitindo uma melhora no padrão de vida". De acordo com a historiadora, entre 2003 e 2004 a situação de miserabilidade entre os mais pobres caiu em quase 10%, tanto para negros quanto para brancos. Essa redução, destaca, contribuiu para tirar também os afrodescendentes dessa condição. A historiadora disse ainda que tem a expectativa de ver inserido nos currículos de toda a rede de ensino fundamental e médio o ensino da história e cultura afro-brasileiras, como determina a Lei nº 10.639 de 2003. Segundo a especialista, "por falta de professores com formação específica", nem todas as escolas cumprem a lei. Ela critica a falta de reconhecimento de manifestações da cultura afro como a capoeira, "que não entra para a categoria esportiva legalmente constituída e nem participa das Olimpíadas". A historiadora lembra que a capoeira surgiu como uma "manifestação de defesa", por meio da qual a população escravizada contestava a opressão. Gevanilda também chama a atenção para o preconceito que muitas pessoas ainda enfrentam para preservar a religião de matriz africana, como os seguidores da umbanda ou do candomblé. Segundo ela, por esse motivo, a Marcha da Consciência Negra também pretende ser um instrumento contra a "intolerância religiosa". Na capital paulista, os eventos comemorativos ao Dia da Consciência Negra ocorrem desde cedo. A programação inclui apresentação de congadas e de shows musicais, na Praça da Sé, e de documentários, no Masp. No mesmo local, também será realizada a primeira Bienal do Livro Afro.

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