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Executivo diz apoiar abertura de documentos sobre Lula e Odebrecht

Marcelo Odebrecht, presidente do grupo, afirma não ter 'nada a esconder' sobre relação com governo petista e nega falhas em financiamentos aprovados pelo BNDES

Francisco Carlos de Assis e Álvaro Campos, O Estado de S. Paulo

15 de junho de 2015 | 13h09

Atualizado às 15h49

São Paulo - O presidente do Grupo Odebrecht, Marcelo Odebrecht, afirmou nesta segunda-feira, 15, defender a liberação de documentos oficiais que tratam da relação do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a empreiteira. "Não fizemos nada de ilegal ou imoral", disse o executivo da empreiteira, ao comentar reportagens recentes sobre financiamentos aprovados pelo BNDES à construtora. Ele ainda se disse irritado por ver sua empresa envolvida em um embate, segundo ele, político.

"Revelaram que o BNDES nos emprestou US$ 8 bilhões. É pouco, pois recebemos financiamento de US$ 20 bilhões no exterior", defendeu-se Odebrecht, que participa de seminário sobre exportações de serviços em São Paulo. Ele disse ainda ter achado muito bom o Itamaraty e o BNDES terem aberto os dados sobre os empréstimos.

De acordo com as reportagens, o BNDES financiou US$ 8,22 bilhões à construtora diretamente e à sua subsidiária Companhia de Obras e Infraestrutura (COI) para exportar serviços de engenharia, de 2007 a 2015. Apenas a construtora recebeu US$ 7,4 bilhões, com foco nas Américas do Sul e Central e na África. Os juros das operações variaram de 2,87% ao ano a 8,61% ao ano e os prazos de pagamento, de 120 a 186 meses. "Estou irritado por estarmos na linha de fogo do embate político", disse o executivo, mostrando-se irritado.

Odebrecht defendeu os financiamentos do BNDES a projetos em Angola e disse que as operações tem como garantia uma conta petróleo, o que a imprensa, segundo ele, não noticia e que em nenhum dos casos ocorreu um default sequer. "Sou favorável a isso (abertura do dados) e do debate, porque no final vai se comprovar que não tem nada de errado", disse o executivo. 

Ele fez menção também a arquivos que tratam da relação entre o governo Lula e a empreiteira, envolvida nas investigações da Operação Lava Jato. Na semana passada, após o jornal O Globo revelar que um diplomata pediu sigilo para esses documentos, o Ministério das Relações Exteriores recuou da tentativa de reclassificar a categoria dos textos, o que restringiria o acesso a eles. "Não se fala de outra coisa nos jornais desde sexta-feira. Sou favorável a que se abra os dados, porque não temos nada a esconder", disse Marcelo Odebrecht. O Itamaraty afirmou que o diplomata agiu de acordo com o procedimento previsto pela Lei de Acessso à Informação.

De acordo com o empresário, o escrutínio no Brasil é tão grande que os diplomatas do Itamaraty ficam até com receio de atuar. Ele elogiou os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio que deram às empresas brasileiras de construção civil no exterior e disse que em todo o mundo existem subsídios. "Os dados aqui são muito manipulados. O País que mais recebe apoio e subsídios são os Estados Unidos", disse.

O empresário revelou que, assim que soube que poderia ser aberta uma CPI no Congresso sobre o BNDES, procurou interlocutores do governo para apoiar o movimento, justamente para provar que não havia nada errado. Pouco tempo depois, porém, mudou de ideia, pois agora acredita que a investigação pode paralisar a atuação do banco de fomento, que sofreria quase três anos, até que os trabalhos fossem concluídos. "Eu acho que essa CPI vai acabar paralisando o País", comentou.

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