Paulo Lisboa|Foto Press
Paulo Lisboa|Foto Press

Marcelo diz que Odebrecht foi 'parceira leal' do governo Dilma

Empreiteiro se queixa que 'outra parte' não cumpriu parte dos compromissos assumidos com construtora

O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2017 | 19h29

BRASÍLIA - A documentação entregue pela Odebrecht no acordo de delação premiada inclui um e-mail do herdeiro do grupo, Marcelo Odebrecht, a executivos da empreiteira com o intuito de afinar os discursos nas negociações com representantes do governo federal. No e-mail, Marcelo diz que a Odebrecht estava sendo uma "parceira leal" do governo - na época, ainda no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff - assumindo "diversas missões", mas uma parte dos compromissos assumidos "pela outra parte" não estava sendo cumprida.

O e-mail foi enviado em agosto de 2014, já com a Lava Jato em curso. Marcelo tentava, nessa época, evitar o pagamento de parte de valor acordado com o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, para compra de apoio de legendas à chapa que elegeu Dilma naquele ano. Em relato ao Ministério Público, no entanto, ele revela que não conseguiu segurar o pagamento, que foi feito.

Na mensagem, Marcelo diz que a empresa estava encontrando "enormes dificuldades" na liberação dos financiamentos prometidos à empresa e se queixa de "falta de parceria (e mesmo certos ataques deliberados)" do governo com a Odebrecht.

Ele lista 11 áreas em que a empresa se colocou em obras ou investimentos de interesse do governo, mas estava em dificuldades ou não contava mais com apoio do Poder Executivo, como as arenas da Copa.

"4. O ocorrido na construção e concessão de 3 estádios de futebol para governos estaduais aliados (BA, RJ e PE) onde a Odebrecht cumpriu todos os seus compromissos, inclusive, os prazos da Copa das Confederações e demandas adicionais da Fifa. Entretanto, decido ao limitado financiamento do BNDES para os Estádios e do receio dos governadores em assumir todos os custos relativos à Copa do Mundo, há atualmente um valor a receber pela Odebrecht de aproximadamente R$ 500 MM", se queixa Marcelo. / Beatriz Bulla, Fábio Serapião, Fabio Fabrini, Breno Pires, André Borges, Rafael Moraes Moura e Erich Decat

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.