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Marcelo Castro rebate Cunha e diz que ele devia ter 'escolhido um relator mais submisso'

Relator do texto da reforma política na Câmara foi alvo de duras críticas do presidente da Casa e reagiu afirmando que ele foi 'desrespeitoso' com outros parlamentares da comissão da reforma política

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

18 de maio de 2015 | 19h23

Brasília - Alvo de críticas do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o relator da reforma política, Marcelo Castro (PMDB-PI), reagiu com indignação e disse que ele deveria ter escolhido um relator "mais submisso". Castro disse ainda que Cunha foi desrespeitoso.

Em entrevista no final da tarde desta segunda-feira, 18, Cunha disse que o relatório de Marcelo Castro era "confuso" e disse que faltava ao relator "inteligência e perspicácia política".

"Eduardo escolheu o relator errado. Não sei por quê. Ele convive comigo há muitos anos, conhece meu caráter, minha personalidade, minha firmeza de convicções. Ele sabe perfeitamente das posições que venho assumindo durante todo esse tempo. Ele deveria ter escolhido um relator mais submisso à vontade dele e não um relator que tem a independência e autonomia que eu tenho. Da próxima vez ele vai pensar duas vezes quando for escolher um relator", reagiu Marcelo Castro no início da noite.


O relator disse que o presidente da Câmara foi desrespeitoso não apenas com ele, mas com toda a comissão. "O relatório não é confuso. Isso é um desrespeito dele não a mim, mas a toda a comissão de reforma política", afirmou. "Acho desrespeitosas as opiniões que o presidente da Casa emitiu a respeito do relatório, que não é meu, não é dele. É a expressão da vontade da maioria da comissão. Como presidente da Casa, ele jamais poderia tratar os membros da comissão dessa maneira desrespeitosa".

Ao saber que Cunha pretende "fatiar" a reforma política para que seja votado ponto a ponto, Castro disse que essa era sua ideia inicial, mas que o presidente da Câmara não autorizou. "Ele que exigiu que o relatório fosse feito numa peça única e não fatiado. Se essa acusação procede, tem que ser feita a ele e não a nós. A nossa ideia era fazer um relatório fatiado para que a gente pudesse tratar dos temas conexos e pudesse tramitar com maior facilidade", afirmou.

Castro é acusado de ter cedido à pressão de Eduardo Cunha para incluir no relatório o sistema eleitoral conhecido por distritão, no qual não há eleições proporcionais. O relator nega. "Sobre mim ele não tem autoridade", afirmou.

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