Divulgação Apib
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Maranhão tem quarto assassinato de indígena em um mês e meio

Funai descarta relação entre o caso e crime de ódio ou disputa por terra; conselho indigenista critica antecipação de conclusões

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

13 de dezembro de 2019 | 15h37
Atualizado 13 de dezembro de 2019 | 19h06

Mais um índio da etnia Guajajara foi morto no Maranhão neste mês. Segundo informou a Fundação Nacional do Índio (Funai), Dorivan Soares Guajajara, residente na Terra Indígena Arariboia, e mais conhecido como Cabeludo, foi assassinado na Vila Industrial do município de Amarante, interior do estado.

Citando informações da polícia maranhense, a Funai informou que "estão descartadas todas motivações de crime de ódio, disputa por madeira ou por terras" na morte de Gajajara, que estava "em companhia do não indígena Roberto do Nascimento Silva", ainda segundo as informações da Funai. 

"A Funai acompanha o caso junto às instituições de Segurança Pública, garantindo que as investigações respeitem toda a legislação alusiva aos povos indígenas", informou a nota da fundação, que informou ainda colocar-se "à disposição para contribuir com o que estiver no limite de suas atribuições e aguarda mais detalhes do caso conforme a evolução do trabalho dos órgãos competentes pela investigação".

Por meio de nota, o governo do Maranhão também afastou a possibilidade de essa morte também se tratar de atentado contra um Guajajara. "A apuração preliminar das forças de segurança aponta que o crime não tem motivação por ódio, disputa de terras ou desmatamento de áreas indígenas." 

"A Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) informa que uma equipe policial da cidade de Imperatriz se deslocou ao município de Amarante do Maranhão, onde realizará os primeiros levantamentos investigativos", informou o governo maranhense. "A Superintendência de Polícia Civil do Interior (SPCI) solicitou, ainda, a prestação de serviços de equipes do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (Icrim), para realização dos procedimentos legais prévios, com vistas a dar celeridade na elucidação ao caso."

Conselho traz versão diferente

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (da Igreja Católica), divulgou nota com informações diferentes daquelas repassadas pelas autoridades, a começar pelo nome da vítima. Segundo o conselho, o indígena morto seria um adolescente de 15 anos, que havia saído da Terra Indígena Araribóia há duas semanas, acompanhado do pai, para comprar mantimentos em Amarante.

"A viagem acabou de forma trágica nesta sexta-feira (13) quando o corpo do jovem indígena foi encontrado esquartejado em um campo de futebol localizado em Amarante", diz o texto divulgado pela instituição. "Ainda não se sabe as circunstâncias do crime", diz a nota, afimando que aparentemente o rapaz "foi assassinado a golpes de faca". "Não há notícias sobre o paradeiro ou a identidade dos criminosos", continua o texto. O Cimi também cita a localização do corpo de um não índio com o guajajara assassinado.

O texto diz que a polícia disse à imprensa local que o caso poderia ter relação com tráfico de drogas, informação que a familia do rapaz nega, ainda segundo o Cimi. O Cimi criticou a divulgação da informação de que o crime não teria ligação com o fato da vítima ser indígena antes do término das investigações. 

Força Nacional está no Maranhão

Por causa de um atentado que matou dois índios Guajajara neste mês, o Ministério da Justiça autorizou o envio da Força Nacional de Segurança para o estado, para auxiliar na proteção aos povos indígenas nesta região do País. No último dia sete, um atentado a tiros na BR-226 deixou dois mortos e dois feridos

Em novembro, em outro atentado, também na Terra Indígena Araribóia, o  integrante do grupo Guardiões da Floresta Paulo Paulino Guajajara foi assassinado, também a tiros, após uma emboscada. 

 

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