DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Maranhão pede tempo após PP propor 'renúncia negociada'

Uma nova reunião do partido deve acontecer na quarta-feira, 11, quando o deputado vai revelar aos colegas sua decisão

Igor Gadelha e Valmar Hupsel Filho, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 14h18

BRASÍLIA - A bancada do PP na Câmara dos Deputados decidiu, em reunião nesta terça-feira, 10, tentar uma "renúncia negociada" de Waldir Maranhão (PP-MA) da 1ª vice-presidência da Casa antes de dar seguimento ao processo de expulsão dele do partido. Maranhão pediu para que fosse convocada uma nova reunião nesta quarta-feira, 11, e afirmou que estaria presente para anunciar sua decisão.

Na reunião do PP, ficou decidido que um grupo de deputados da legenda procuraria Maranhão, para tentar negociar essa renúncia antes de encaminhar à Executiva Nacional seu posicionamento pela expulsão do partido. Como argumento, os parlamentares do PP diriam que, caso renuncie, o presidente interino teria como garantia a salvação de seu mandato. 

Segundo o deputado Júlio Lopes (RJ), responsável por falar com Maranhão, o presidente em exercício da Câmara teria dito: "Você não tem direito de pedir minha renúncia". O deputado carioca então disse ao colega que tem obrigação de manter o bom funcionamento da Câmara. Foi aí que Maranhão pediu tempo para pensar.

A reunião da Executiva Nacional do PP, que estava marcada para esta terça, foi adiada para quarta. Lopes afirmou que o ideal é que a "solução" seja o mais breve possível. "Já lhe foi comunicado que faticamente ele não tem condição de presidir a Câmara", disse.

Ética. Na segunda-feira, DEM e PSD entraram com representação no Conselho de Ética da Câmara, acusando Maranhão de quebrar o decoro parlamentar ao anular sessão da Câmara que aprovou a abertura do processo de impeachment da presidente Dilma. A representação pode levar à cassação do mandato dele. 

"A bancada fez um encaminhamento a favor da expulsão dele, mas antes vamos tentar a proposta também encaminhada de renúncia negociada", afirmou o líder do PP, Aguinaldo Ribeiro (PB). Com a decisão, a reunião da Executiva Nacional da sigla que trataria do processo de expulsão foi adiada.

O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), explicou que a Executiva não terá como aprovar o afastamento cautelar (provisório) de Maranhão como pedido pelo deputado Júlio Lopes (PP-RJ) junto com o pedido de expulsão definitivo. Segundo o dirigente, não há previsão estatutária para isso.

O Broadcast Político apurou que a cúpula do partido quer evitar a expulsão definitiva de Maranhão para impedir que o presidente interino da Câmara migre para outro partido menor do mesmo bloco do PP. Com isso, ele poderia tentar manter o cargo de 1º vice-presidente.

Já com renúncia, seria mais fácil para o partido tentar pedir a primeira vice-presidente de volta, para a legenda indicar um substituto. Embora o deputado maranhense tenha sido eleito, a interpretação da maioria da legenda é de que a 1ª vice-presidência cabe à sigla, por acordo político que culminou com a eleição tanto de Maranhão quanto de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). 

Caso renuncie ao cargo, o 2º vice-presidente da Câmara, deputado Giacobo (PR-PR) assumiria interinamente o comando da Câmara e convocaria eleição para 1º vice-presidente em até cinco sessões. O eleito comandaria a Casa interinamente enquanto durar o afastamento de Cunha da presidência da Câmara. 

Sem apoio. Maranhão preside, na tarde desta terça-feira, reunião na Mesa Diretora e deve ouvir dos outros integrantes que não tem apoio deles para continuar no cargo. O argumento dos deputados é que não foram consultados sobre a decisão de Maranhão de anular as sessões da Câmara que discutiram o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, nos dias 15, 16 e 17 de abril, e que o presidente em exercício agiu de forma unilateral.

Maranhão anulou a tramitação do impeachment na manhã de segunda-feira e revogou a anulação na madrugada de terça. Por volta das 13h30, Maranhão deixou o gabinete da vice-presidência e seguiu para a presidência da Câmara, onde acontece a reunião da Mesa Diretora. O trajeto de vinte metros provocou enorme tumulto de jornalistas e seguranças, mas Maranhão ficou em silêncio, apesar das perguntas sobre a possibilidade de renunciar. / COLABOROU LUCIANA NUNES LEAL

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