Antonio Augusto / Câmara dos Deputados
Antonio Augusto / Câmara dos Deputados

Maranhão pede desculpas em abertura de reunião da Mesa Diretora da Câmara

Presidente interino da Câmara fez mea-culpa pela anulação (e posterior reversão) do processo de impeachment da presidente Dilma

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2016 | 16h09

Brasília - O presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), começou a reunião da Mesa Diretora da Casa, que ocorre semanalmente às terças-feiras, de uma maneira inusitada. Maranhão chegou ao gabinete da presidência com uma carta e um pedido de desculpas aos parlamentares, fazendo um mea-culpa pela anulação (e posterior reversão) do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os membros da Mesa já estavam preparados para pressionar o deputado a renunciar ao cargo. Alguns deputados que participaram do encontro afirmaram que ele foi "bombardeado" durante a conversa.

Após a investida, Maranhão se comprometeu a dar uma resposta ao PP sobre a sua permanência ou não na presidência até as 10 horas desta quarta-feira.  Na reunião, no entanto, chegou a dizer que não renunciará. Enquanto isso, o segundo vice-líder da Câmara, Fernando Giacobo (PR-PR), já se coloca como novo presidente interino, no lugar de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que está suspenso.

Giacobo declarou, após o encontro, que tem o apoio de todos os membros titulares da Mesa, já que a "sugestão" pela renúncia ou o afastamento de Maranhão foi unânime, com a consciência de que ele seria o próximo na linha sucessória.

Caso Maranhão não queira renunciar, os deputados da Mesa sugeriram que ele peça o seu afastamento do mandato de deputado federal por 120 dias, prazo máximo estabelecido pelo regimento para um parlamentar se ausentar da Câmara. Enquanto isso, acreditam, a situação de Cunha já teria sido resolvida e um novo presidente seria designado pela Casa. "Em 120 dias muitas coisas vão acontecer", afirmou Giacobo.

Questionado pela deputada Luiza Erundina (PSOL-SP), que é suplente da Mesa, sobre a razão de o colegiado não ter agido da mesma forma contra atos irregulares de Cunha, Giacobo afirmou que "não se deve cometer um erro duas vezes" e que é preciso "aprender com o passado".

O líder do PSOL na Casa, Ivan Valente (SP), disse que o partido não irá apoiar o afastamento de Maranhão, pois, antes de convocar novas eleições para a vice-presidência da Câmara, é preciso resolver a situação da presidência e dar sequência ao processo de Cunha no Conselho de Ética. "Agora vai entrar um segundo vice? Aonde vamos parar", questionou.

Valente acusou os parlamentares de não terem pedido o afastamento de Cunha antes por ele representar uma ameaça a diversos políticos, entre eles o vice-presidente da República Michel Temer.

Mais cedo, o presidente do Solidariedade, Paulinho da Força (SP), afirmou que, caso a oposição não consiga convencer Maranhão a abdicar do cargo, eles devem recorrer ao plenário da Câmara, em ato inédito. As siglas que apoiam o impeachment da presidente Dilma Rousseff pretendem sinalizar a Maranhão que "ninguém mais vai trabalhar com ele na Casa".

"O momento pede cautela e precisamos ter um presidente à altura. Ninguém aguenta mais e não vamos tocar a Casa com um presidente pirado", disse Paulinho. O presidente do Solidariedade afirmou ainda que Maranhão demonstrou ser "bipolar" ao mudar de ideia sobre a anulação do processo de impeachment.

Recluso. Após a reunião, Maranhão deixou o prédio do Congresso, segundo sua assessoria, para almoçar. O presidente interino deve retornar à Câmara e pretende presidir sessão. Contudo, ele está sendo pressionado por aliados de Eduardo Cunha a não participar da sessão.

Aliados de Maranhão alegam que ele vai se refugiar em um hotel para fugir da pressão pela sua renúncia, uma vez que seu endereço em Brasília é conhecido pela imprensa.

Desde que chegou à Câmara, por volta das 9h30, Maranhão foi pressionado a deixar o cargo. Ele se refugiou por quase todo o dia na sala da segunda-vice-presidência, onde recebeu deputados. Um deles foi o deputado Júlio Lopes (PP-RJ), que levou a ele o posicionamento unânime da bancada em favor de sua renúncia. O partido ameaça o deputado de expulsão.

Maranhão só deixou a sede da vice-presidência por volta das 15 horas para seguir para a presidência. Nos cerca de 10 metros que separam as duas salas, Maranhão foi questionado por diversas vezes se renunciaria ao cargo mas manteve-se em silêncio.

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