Maranhão confirma sete pessoas feridas em conflito indígena

Governo estadual declara que não houve indígenas com as mãos decepadas, mas com fratura exposta

Leonencio Nossa e André Borges, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2017 | 21h18

Brasília - O governo do Maranhão informou que os conflitos ocorridos no último domingo, 30, no município de Viana (MA) resultaram em sete vítimas, e não 13, conforme informado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Segundo o governo estadual, das sete pessoas feridas no ataque de pistoleiros, cinco são índios gamela e dois, não indígenas. O governo maranhense declarou ainda que não houve indígenas com as mãos decepadas, como foi divulgado. De acordo com o governo, o que ocorreu é que "um dos gamelas teve fratura exposta nas mãos". A vítima foi operada e continua internada. Dos sete feridos, três permanecem internados.

O governador Flávio Dino (PCdoB) declarou que, assim que foi informado sobre a "lamentável violência ocorrida no povoado Bahias", a Polícia Militar do Maranhão "atuou imediatamente" após ter conhecimento do "conflito entre moradores da região e um grupo que reivindica reconhecimento como povo Gamela, evitando assim uma tragédia maior". 

A PM permanece com local com reforço do efetivo, segundo o governo. Equipes da Polícia Civil foram ao local e a Secretaria de Estado de Segurança Pública instaurou inquérito para investigar as condições em que o conflito ocorreu. Uma equipe da Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular também foi deslocada para a área em conflito. 

Ao 'Estado', Flávio Dino disse que enviou novo ofício ao Ministério da Justiça para dar uma definição sobre as terras. "O que aconteceu ontem foi grave. Uma pessoa foi muito agredida com pauladas e teve fratura exposta. Neste momento ela não corre risco de morte", disse o governador.

A dificuldade de informações detalhadas sobre o conflito se deu por conta do encaminhamento das vítimas para hospitais diversos. Somente no fim da tarde desta segunda-feira, 01, foi possível fazer uma análise geral sobre as vítimas. "A essência do conflito está na indefinição da Funai e do Ministério da Justiça, que não definem o que é território indígena ou o que não é. O conflito fica latente e qualquer fagulha causa explosão", disse Dino. 

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