'Máquina da fiscalização' é maior que a da produção, diz Lula

Presidente reclama da burocracia que 'emperra o desenvolvimento', critica o TCU e faz referência a Juscelino

Kelly Lima e Adriana Chiarini, da Agência Estado,

30 de abril de 2009 | 13h01

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou sua visita à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em cerimônia de inauguração de laboratório voltado aos testes para o pré-sal, para criticar a burocracia que "emperra o desenvolvimento". Em crítica direta ao Tribunal de Contas da União (TCU), Lula disse que a máquina da fiscalização tornou-se maior do que a máquina da produção. "Se o Juscelino Kubitschek quisesse fazer Brasília nos dias de hoje, terminaria seu mandato sem conseguir a licença para fazer uma pista de pouso", disse.

 

Ele também aproveitou a presença em uma universidade para elevar o que vem sendo feito na seara educacional do País. "Nunca antes um governante foi a uma reunião da SBPC e saiu sem receber críticas", disse, lembrando o PAC educacional vai investir R$ 41 bilhões nos próximos anos. "Quando vi que um PAC dava certo, resolvi fazer PAC para todo lado".

 

Após homenagear o professor Alberto Luiz Galvão Coimbra, que desenvolveu uma série de experimentos na área da Coppe, na UFRJ, Lula diz que falta ao País ressaltar o valor histórico "dos que vieram antes de nós". "Muitas vezes a gente encontra o prato pronto e não procura saber como foi preparado o prato. Aí a gente não valoriza quem veio antes de nós. Acontece entre os pesquisadores, técnicos, sindicalistas, todos temos a impressão de que a história começa a partir de nós, mas na verdade somos resultado de todos que vieram antes de nós", disse o presidente, afirmando ainda que "antigamente tinha gente que pensava mais sério, pensava em soberania e queria que o Brasil fosse um país respeitado".

 

Lula ressaltou que "foi preciso um governante sem ensino superior para fazer o que os outros não fizeram". "A gente olha para a educação do País e vê que tem Estados ricos em que 80% estudam em universidades privadas. Nada contra escolas privadas, mas tudo a favor das públicas. Me pergunto porque em tantas décadas se investiu tão pouco em universidades públicas. Todos os governantes, até os militares, tinham curso superior. Eu e o Zé Alencar fomos os únicos, por sorte ou por azar, sem curso superior e não falo com orgulho não. Possivelmente por eu não ter o conhecimento acadêmico facilita para fazer as coisas, porque não tem disputa acadêmica".

 

Lula também brincou com a plateia dizendo que "tinha loucura para fazer economia". "Mas bom mesmo é ser economista da oposição. Quando a gente está de fora a gente acha que sabe tudo. Se eu tivesse feito economia, não seria presidente da República".

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