Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Mapeamento nas redes sociais indica que Lula foi para o centro das críticas

Número de menções críticas ao ex-presidente durante os protestos cresceu significativamente em relação aos outros atos; menções gerais aos protestos, contudo, diminuíram

O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2015 | 23h29

O mapeamento das publicações em sites de notícias, blogs, Twitter e Facebook durante os protestos deste domingo revelaram que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a ser um dos principais alvos das críticas também no ambiente virtual. Mapeamento feito pela empresa Bites Radar apontaram que as menções negativas ao ex-presidente no Twitter chegaram a 44.333, ante 28.237 nos protestos de março.

Apesar de não ser o mais citado, chamou a atenção do mapeamento como diminui a proporção entre as criticas à Dilma e as críticas à ele nas redes sociais. Em 15 de março, o nome de Lula apareceu 28.237 em posts no Twitter enquanto o de Dilma apareceu em 443.349 tweets, uma diferença de quase 16 vezes. Neste domingo, o ex-presidente estava até às 20h presente em 44.335 posts contra 99.685 para Dilma. Com isso, a diferença caiu para 2,2 vezes.

Para o diretor da empresa, Manoel Fernandes, o fato surpreendeu a equipe, que já vinha fazendo o mapeamento desde antes do protesto. "Na própria quarta-feira percebemos que o volume de pessoas (nos protestos) ia ser menor e que haveria uma homogeneidade de agenda, a questão do Lula foi o fator surpresa de hoje", disse.

Segundo relatório divulgado pela empresa, já era previsto, a partir do mapeamento nas redes, que o número de pessoas nas ruas seria menor, "mas a intensidade da insatisfação ficaria no mesmo patamar", aponta o documento divulgado neste domingo.

Além do ex-presidente, outros personagens chamaram a atenção no relatório divulgado pela empresa.Entre 

os líderes da oposição, o senador Aécio Neves foi que mais obteve apoio no Twitter com 17.096 preferências. O presidente do Senado, Renan Calheiros, foi mais falado nas redes sociais (4.484 vezes)

que o seu colega da Câmara, Eduardo Cunha (1.704). 

"No total, os protestos e manifestações de hoje (domingo) geraram 229 mil tweets no Brasil, 757 posts em blogs e 3.698 artigos em sites de notícia. Nesse último caso, os artigos representaram quase um terço de tudo que os jornalistas brasileiros publicaram nesse domingo", segue o relatório.

Como explica Manoel, outro personagem que ganhou destaque foi o juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato. Ao todo, o juiz teve 12 mil posts positivos no Twitter. Para o diretor, estes números ajudam a compreender cada vez melhor a correlação entre as manifestações nas ruas e na internet. "Houve um foco muito forte, uma homogeneidade da discussão, de críticos do governo", aponta o diretor, lembrando que as menções corroboram muitos fatos vistos nos protestos como o boneco de Lula e as mensagens de apoio a Moro. 

'#carnacoxinha'. Além das críticas, outro ponto que chamou a atenção foi o uso da expressão #carnacoxinha entre os assuntos mais falados no Twitter no Brasil e no mundo. A hashtag foi mencionada 106.557 vezes e ficou  nos trendings topics durante toda a tarde. Para Manoel, contudo, não se pode atribuir o bom desempenho da expressão ao uso de robôs, pois foram expressões citadas por 34.655 perfis.

"Investigamos o #carnacoxinha, a principio não verificamos robôs. Essa hashtag foi produzida por 34 mil perfis, os dez que mais publicaram eram perfis bons (verificados pelo Twitter). Se dividir da quase três hashtags por perfil, não é coisa de robô", explica.

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