Manutenção do mínimo não enfraquece Senado, diz Sarney

A manutenção do salário mínimo de R$ 260,00 pela Câmara não significa o enfraquecimento político do Senado que, na semana passada, aprovou um valor maior, de R$ 275,00. A avaliação foi feita hoje pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para quem o resultado é fruto do mecanismo do sistema bicameral do Legislativo, além de não ser um fato inédito, já que outras propostas foram alteradas durante a tramitação. "Não é a primeira vez nem será a última que uma matéria é revista depois de ter sido aprovada pelo Senado", afirmou. "O sistema político é o mesmo, mas são duas Casas distintas". Sarney procurou, também, desvincular o resultado da votação do mínimo na Câmara de uma eventual negociação em torno da votação da emenda constitucional que permite a reeleição para os presidentes da Câmara e do Senado, apesar de as avaliações apontarem para o fortalecimento pessoal do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) com a vitória hoje do governo. "Isso é especulação", desconversou Sarney, que disse também ser contra uma eventual convocação extraordinária do Congresso em julho. Ele acha que será preciso avançar alguns dias no recesso parlamentar para votar as matérias pendentes, mas considera desnecessário convocar extraordinariamente os deputados e senadores. Apesar de o PMDB na Câmara ter contribuído, desta vez, com mais votos em favor do governo, o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), defendeu uma "rearrumação" das forças políticas que dão sustentação ao governo no Congresso. "Isso é importante para que tenhamos unidade, sem a qual fica difícil a sustentação", observou. Essa unidade da base aliada passa também, na análise dos líderes, por uma sintonia no comando político do governo. Para garantir a aprovação do salário de R$ 260,00, os ministros da Casa Civil, José Dirceu, e da Coordenação Política, Aldo Rebelo, agiram de forma conjunta, facilitando as negociações. "As brigas não interessam a ninguém", comentou Renan. Pelos prognósticos do líder do PMDB, nenhuma outra matéria em tramitação vai refletir o que aconteceu com a votação do mínimo no Senado na semana passada. A expectativa, portanto, é de que o governo não terá problemas com a aprovação de projetos que tratam da parceria público-privada (PPP) e da biossegurança.

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